Fusões e aquisições estão em alta no Brasil

Até o ano passado, as operações de fusões e aquisições de empresas no Brasil envolviam, na maioria dos casos, um player internacional. Agora, o cenário mudou e as empresas estão buscando associações e negócios de compra e venda “tupiniquins”. Este foi o ponto principal do debate realizado nesta segunda-feira (28), entre o analista da Gerência de Orientação de Investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Félix Arthur Garcia, o diretor de Investment Banking do HSBC do Brasil, Eduardo Rangel, o CEO da Brose do Brasil, José Bosco Silveira Júnior, e o diretor administrativo financeiro da Leão Jr., Helio Corrêa, durante o Painel de Finanças da 9ª Feira de Gestão da FAE Business School.

Para eles, a estabilidade da economia brasileira e a recente avaliação positiva da aência de classificação de risco Moody’s contribuíram para este cenário promissor de solidificação do mercado nacional. Na última semana, o Brasil subiu para o grau “Baa3”, primeiro estágio do “grau de investimento” – sendo que nada menos que 18 países tiveram o “rating” rebaixado desde o auge da crise mundial. Com isso, a qualidade dos investimentos a longo prazo no país deve melhorar consideravelmente. “O mercado de fusões e aquisições estará cada vez mais ativo. Além disso, acredito que, em breve, as empresas brasileiras estarão adquirindo operações no exterior”, prevê Eduardo Rangel.

O aquecimento do mercado fortalece investimentos em bolsa, conforme ressaltou Félix Garcia. O executivo da CVM apresentou a evolução dos investimentos em ações no Brasil: em 2003 o volume total foi de R$ 13 bilhões, chegando a R$ 167 bi em 2007. “Agora, o ano deve fechar em R$ 90 bilhões de investimento. Uma queda esperada, em virtude da crise que afetou os principais mercados investidores, como América do Norte e Europa”, avalia.

Atualmente, a maior parte dos casos de fusões e aquisições no Brasil ainda acontece com o envolvimento de multinacionais. “E esse choque de cultura organizacional é um dos principais desafios”, ressalta o diretor administrativo financeiro da Leão Jr., Helio Corrêa. O executivo vivenciou esta realidade de perto quando a Coca-Cola adquiriu a empresa paranaense. “Nos dedicamos muito á  comunicação correta das informações. Esse é o quesito mais relevante de todo o processo”, diz.

Já o CEO da Brose do Brasil, José Bosco Silveira Júnior, mostrou o modelo de administração da empresa, que até hoje não abriu o capital. “Porém, temos o perfil de adquirir empresas menores para conquistar mercado”, aponta. Outros fatores positivos no processo de aquisições, de acordo com os debatedores, é o ganho de escala e o aumento da competitividade.

Graças a esse cenário promissor, o Brasil figura hoje como um dos três principais mercados de ações no mundo, dentre os países emergentes. “Estamos atrás da China, apenas. E o nosso mercado cresce a cada dia”, adianta Félix Garcia.

Soma

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