Para ser competitiva indústria tem que produzir 5 milhões de veículos ao ano
A indústria automobilística brasileira precisa de um mercado interno forte e produzir pelo menos cinco milhões de veículos por ano para ganhar competitividade. O alerta é do presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, que apresentou a palestra de abertura do Simpósio Tendências e Inovação, promovido pela SAE Brasil, em São Paulo. O dirigente afirmou que há muitos desafios importantes para o setor, como o estímulo á formação de engenheiros, a criação de pólos de pesquisa e desenvolvimento, a utilização de energias renováveis e o desenvolvimento de carros mais eficientes. Belini revelou que no ano passado 43 mil engenheiros saíram das universidades brasileiras, contra 430 mil da ándia e 440 mil da Rússia.
O presidente da Fiat destacou que o Brasil caminha para ser o segundo maior mercado entre os BRICs (Brasil, Rússia, ándia e China), mas ainda faltam política industrial integrada e investimentos em inovação. As oportunidades de crescimento são boas, já que o Brasil tem um veículo para pouco mais de sete habitantes. Para chegar á mesma situação da Europa, por exemplo, precisamos elevar a nossa frota em 75 milhões de veículos, alerta.
O presidente da Ford para o Mercosul, Marcos de Oliveira, acredita que a produção de 5 milhões de veículos será viável em 10 anos. Na sua opinião, vários fatores poderão colaborar, como queda na taxa de juros, melhora do poder aquisitivo e acesso ao crédito. Já o presidente da Anfavea, Jackson Schneider (foto), reiterou que o excesso de capacidade produtiva mundial, da ordem de 21 milhões de unidades, tem despertado interesse crescente pelo mercado brasileiro, onde há uma demanda reprimida. Enquanto as importações crescem, as exportações despencam. Este ano o Brasil deve vender no Exterior apenas 400 mil veículos, contra 735 mil em 2008. Para o executivo, o desafio de elevar a competitividade do setor exige melhor estrutura tributária, infraestrutura logística, eficiência administrativa e acordos comerciais.
Segundo o diretor da IHS Global Insight para a América Latina, Guido Vildozo, o Brasil é um dos três mercados em crescimento, ao lado de China e Alemanha, tendo recuperado o fôlego nas vendas automotivas, graças á redução do IPI. Já na avaliação da vice-presidente da Booz & Company, Letícia Costa, o crescimento global virá dos países emergentes. Ela prevê que as montadoras tradicionais detentoras em 2006 de 91% do mercado global, cairão para 68% em 2020, o que implicará em mudança na base de clientes das autopeças.








