Franquia deve estabelecer critérios sólidos para selecionar franqueados

Muito mais do que a quantidade, a franquia deve prezar pela qualidade de seu negócio. O aumento significativo do número de unidades ou do montante do faturamento só ocorre se for precedido de análise qualitativa de cada empresário que levará a marca da franquia á  sua região ou área de atuação.  Em 2010 – ano que promete crescimento ainda maior de pessoas que desejam montar um negócio próprio – franqueador e franqueado só terão sucesso se estiverem preparados psicológica e emocionalmente para a empreitada. Afinal, o retorno do investimento só virá com a adequada atuação de ambos.

A maior procura por franquias de todos os segmentos em peíodos pós-crise, como o atual, exige que o franqueador tenha responsabilidade ao aplicar as ferramentas disponíveis nos seus processos de seleção, com critérios e cuidados bem planejados. Não há especificações na Lei de Franquias (8.955/94) que determine qualquer critério para a seleção, por isso é importante o planejamento adequado de cada empresa em seu respectivo segmento. Na á¢nsia de abraçar todas as oportunidades de vendas, o franqueador acaba deixando algumas lacunas que, certamente serão refletidas negativamente no futuro através de desavenças e conflitos. በcomprovadamente importante, e possui um valor realmente muito significativo, a análise do perfil psicológico e empresarial do potencial franqueado”, alerta a advogada especializada em relacionamento de redes, Melitha Novoa Prado.

 

A advogada constata, em sua experiência de mais de 20 anos com franquias, que o franqueado dança conforme a música”, restringindo-se a seguir as regras estabelecidas pelo franqueador.  Por isso, a formatação dessas normas e dos critérios do processo de seleção deve ser bastante cuidadosa e detalhada. Se os indicadores para avaliação  forem superficiais ou genéricos, o franqueado não terá o devido discernimento e conhecimento sobre o sistema e o contexto nos quais deverá atuar, e nem terá condições de avaliar a sua real  adequação a eles”, observa.

 

Na avaliação de Melitha, esse papel é do franqueador. በele quem deve estruturar seu processo de seleção com critérios mínimos necessários, e definir ponto a ponto as regras de atuação do empreendedor, como forma de evitar problemas futuros – muitas vezes, irremediáveis – e garantir um prolongado e saudável relacionamento.

 

Para a advogada, o processo de seleção adequado deve especificar o perfil empresarial desejado, além de aspectos técnicos e, mais do que isso, o perfil psicológico e emocional do investidor. Melitha recomenda criatividade e diversidade na hora de escolher os recursos para essa seleção, que abrangem desde ferramentas de recursos humanos, entrevistas, avaliações, até grafologia e mapa-astral, que devem ser conduzidas em etapas. Sugere, ainda, que a franquia promova palestras de apresentação detalhada e transparente da marca para potenciais franqueados, conduzidas por diferentes gestores. Nessas reuniões também será possível analisar a desenvoltura do candidato. Outra boa estratégia é realizar ‘test-drive’, colocando-o nas lojas para analisar seu comportamento”, orienta.

Soma

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