Industriais do Paraná estão otimistas para 2010
A indústria do Paraná depois de sofrer uma queda nas vendas de mais de 7%, este ano, está bastante otimista para 2010. De acordo com a XIV Sondagem Industrial divulgada nesta terça-feira (15) pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), 87,78% dos industriais do estado têm expectativas positivas para seus negócios no próximo ano.
O nível de otimismo alcançado este ano é o segundo mais alto da história do levantamento, que chega a sua 14ª edição. Os 87,78% de expectativas positivas ficaram abaixo apenas do índice alcançado em novembro de 2007, quando 87,87% dos industriais paranaenses apostavam que 2008 seria seu melhor ano, fato confirmado posteriormente pelos indicadores econômicos.
As expectativas para 2010 também mostram uma forte recuperação do otimismo dos empresários se comparado com o resultado da pesquisa realizada no ano passado, quando apenas 62,17% do empresariado esperava resultados positivos em 2009 – o segundo mais baixo nível da série histórica. A expectativa para o ano atual foi confirmada pelos números: até outubro, as vendas industriais paranaenses apresentavam queda de 7,37% em relação ao mesmo peíodo de 2008, reflexo da crise financeira mundial iniciada em setembro de 2008 e ainda acentuado pela sobrevalorização do cá¢mbio, que prejudica as exportações.
O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures (foto), comemorou o otimismo da indústria paranaense em relação a 2010, mas fez um alerta sobre a necessidade de desenvolvimento de uma política industrial de longo prazo no Brasil. በimportante esse otimismo dos empresários, mas há de se levar em conta que estamos em uma situação em que qualquer alívio nos deixa felizesâ€, disse. A participação da indústria brasileira no PIB do país caiu pela metade nas últimas quatro décadasâ€, informou Rocha Loures, apresentando o resultado de uma pesquisa do Instituto Industrial de São Paulo (IEDI), com base em dados do Banco Mundial. De acordo com o presidente da Fiep, este dado evidencia um processo de desindustrialização no Brasil.
O agravante, de acordo com a pesquisa, é que no mesmo peíodo a renda per capita do brasileiro ficou praticamente estagnada. Outros países, como Alemanha, Estados Unidos, Holanda e França, também tiveram perda de peso industrial, mas compensaram com empregos de maior valor na área de serviços, com aumento da renda per capita, o que não aconteceu no Brasilâ€, comparou Rocha Loures. Nos próximos anos, a economia brasileira terá um crescimento significativo, principalmente pelo cenário internacional, mas é preciso aproveitar esse embalo para colocarmos ênfase na promoção das mudanças de comportamento que capacitem o Brasil a se transformar efetivamente em uma economia modernaâ€, alertou o presidente da Fiep.
Para Rocha Loures, um dos principais problemas enfrentados pela indústria é a falta de incentivos para investimentos. Os investimentos na indústria continuam baixos no Brasil. Prova disso é que a idade média dos equipamentos da nossa indústria é de 17 anos, enquanto na Alemanha é de apenas cinco anosâ€, comparou.
O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Mauílio Schmitt, acrescenta que a falta de maiores investimentos reside, em grande parte, á carência de crédito para as indústrias. Entre 2003 e 2009, o crédito pessoal expandiu 311% no Brasil, enquanto o crédito para pessoas juídicas cresceu 186%. Ninguém é contra a concessão de crédito, mas deve haver um equilíbrio entre crédito ao consumidor e á produçãoâ€, declarou.








