Apagão de talentos é uma ameaça ao crescimento econômico
Para a alegria de todos, a nossa economia está crescendo e crescendo muito mais do que deveria. Mas, por incível que pareça, caminhamos para um completo desassossego empresarial devido á incerteza quanto á entrega de pedidos por falta de competência humana, em quantidade suficiente, principalmente na esfera executiva. Ou seja, estamos caminhando para um apagão de talentos.
Eu conversei com Alfredo Assumpção (foto), que é o presidente da Fesa, empresa de recrutamento de altos executivos, que esteve ontem em Curitiba lançando o seu oitavo livro, Felicidade, o Deus nosso de cada dia – como, quando e onde encontrá-Lo†. Alfredo é considerado pela revista Business Week como um dos headhunters mais influentes do mundo e ele me disse que os apagões energético, rodoviário, portuário, aeroviário e outros tantos, ficam pequenos diante do complexo e de difícil solução que é o apagão de talentos. Isto porque sem talentos não resolveremos os demais apagões.
E cada vez que a economia acelera o seu ritmo de crescimento entra-se no leilão de mão de obra qualificada. Hoje nós temos quantidade de mão de obra, mas faltam especialistas. Setores como os de logística, tecnologia da informação, telecomunicações e infraestrutura já sentem o apagão de talentos. Segundo Alfredo Assumpção, as empresas buscam especialistas, mas o mundo acadêmico não tem condições de formar profissionais e com a experiência exigida.
Então eu perguntei a ele a quem cabe a formação de talentos. O headhunter me disse que esta é uma atitude que deve partir das próprias empresas, através de programas de trainees. E as grandes empresas já têm feito isso. De acordo com o presidente da Fesa, o mundo acadêmico abre a cabeça, mas é a empresa que capacita os profissionais.
Agora diante da grande demanda por executivos e da baixa oferta de especialistas, os salários no Brasil estão muito atraentes e devem continuar subindo. Um alto executivo brasileiro tem hoje o mesmo salário do que qualquer executivo do Primeiro Mundo. Este quadro tem atraído executivos de fora e, inclusive, os 5 milhões de brasileiros que estão trabalhando no exterior podem ser repatriados. Alfredo Assumpção me contou que ele tem recebido entre 60 e 70 curículos por dia de executivos estrangeiros que querem vir trabalhar no Brasil.
Sobre os honorários dos executivos, o que se verifica ao longo da história é que há uma queda em épocas de crise e um crescimento significativo após a retomada econômica. Há 30 anos, o volume de honorários de executivos no mundo todo rondava US$ 1 bilhão por ano. Em 2008 chegou a US$ 12 bilhões, caindo para US$ 7,9 bilhões em 2009. Alfredo Assumpção prevê que este valor saltará para US$ 15 bilhões em 2012. Isso significa que quanto mais complexa a economia, mais sofisticado é o talento humano que a mesma demanda para operacionalizar o sempre novo sistema econômico criado. በpor isso que se devem fazer boas parcerias com bons parceiros em recrutamento do talento necessário para as empresas.








