Campanha valoriza papel e comunicação impressa
Com o objetivo de desfazer o mito de que a fabricação de papel possui caráter predatório e que a celulose brasileira provém de árvores cultivadas de forma sustentável e não de desmatamentos, a Associação Brasileira da Indústria Gráfica – Regional Paraná (Abrigraf/PR) lançou nesta terça-feira (14), em Curitiba, a Campanha de Valorização do Papel e da Comunicação Impressa, tendo como mote Imprimir é dar Vidaâ€. A iniciativa, inédita no país, partiu da Abigraf Nacional, que, com o auxílio de suas regionais e demais entidades da cadeia produtiva do setor gráfico e de papel, está divulgando a campanha por todo o Brasil. O trabalho começou no fim de 2008 organizando os argumentos e fatos sobre a fabricação do papel. A partir daí, uma comissão foi formada e o trabalho culmina com campanha, cujo destaque é o hotsite (www.imprimiredarvida.org.br).
O setor gráfico está seriamente preocupado com o baixo consumo de papel no Brasil. Enquanto na média mundial o consumo per capita de papel é de 57,8 quilos/ano, no Brasil, o consumo é de 44,6 quilos/ano. Vale lembrar que na Finlá¢ndia o consumo per capita ano de papel é de 341,7 quilos e nos Estados Unidos de 250 quilos/ano por habitante.
Eu conversei com o engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Viçosa (MG), Sebastião Renato Valverde, e ele me disse que o que existe hoje são informações equivocadas a respeito da fabricação do papel. Entretanto, ele não atribui o baixo consumo de papel á s campanhas contra a impressão. Segundo ele, as próprias indústrias do setor papeleiro mantêm áreas com árvores cultivadas e hoje uma média de70% a 80% das plantações para a fabricação de celulose são de propriedade das empresas. E a faixa de 20% a 30% é de parceiros fomentados pelos fabricados. Com base nesses porcentuais pode-se afirmar que 100% da matéria-prima é cultivada, justifica.
Para Valverde, o Brasil opera de forma contrária a de outros países, que utilizam mais de uma espécie florestal para a fabricação de celulose. Aqui nem existe essa possibilidade, porque há uma diversidade muito grande de árvores em nossa mata nativa. Portanto, são extraídos apenas dois tipos de matéria-prima para a produção de papel no país: a celulose de fibra curta, vinda do eucalipto, e a celulose de fibra longa, retirada do pinus. Praticamente todas as indústrias do setor são certificadas pelo FSC, selo que garante o bom manejo da plantação florestal, com respeito ao bem-estar dos trabalhadores e do meio ambienteâ€.
Com todos estes argumentos, a campanha da Abrigraf pretende enfraquecer o conceito de que a fabricação de papel possui caráter predatório. Apesar disso, a iniciativa não faz, de nenhuma forma, apologia ao desperdício, que não é recomendado sob nenhuma hipótese. Para o presidente da Abigraf Paraná, Sidney Paciornik, é importante deixar claro que a entidade é contra qualquer tipo de utilização excessiva. Mas uma coisa é evitar desperdício de papel como redução de gastos desnecessários e outra é não usá-lo sob o argumento da preservação ambiental. Nosso intuito é reverter esse quadro e combater permanentemente as informações erradas sobre o assuntoâ€.








