Política cambial preocupa setor avícola
O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Clever Pirola ávila (foto), teme que a atual política cambial acabe com a competitividade brasileira na avicultura. Segundo ele, a relação cambial dólar/real é um importante instrumento governamental para o controle da inflação e do endividamento, mas, essa valorização do real tornou os produtos brasileiros mais caros e menos competitivos em relação ao maior concorrente e maior produtor mundial, os Estados Unidos da América do Norte.
A valorização do real preocupa seriamente os setores exportadores. ávila enfatiza que a sobrevalorização do real em relação ao dólar produz o perverso efeito de destruir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e inexoravelmente impacta diretamente a indústria de processamento de carnesâ€. A preocupação do presidente da Acav reflete o temor que assola a vasta cadeia do agronegócio brasileiro. Estamos mantendo o nível produtivo em respeito aos clientes conquistados nas últimas quatro décadas, mas, é evidente que a tendência é de queda, no médio prazo. Não há empresário que consiga se sustentar com esse desequilíbrio absurdoâ€.
ávila lembra que o real supervalorizado torna o produto brasileiro muito caro, levando os compradores no mercado mundial a procurar outros fornecedores, como os norte-americanos. Temos que evitar perder os mercados tão duramente conquistadosâ€, assinala. Aparentemente não haveria motivo para preocupações, pois, em setembro, as exportações de frango cresceram 20% em divisas (as vendas externas em setembro totalizaram US$ 591,7 milhões de dólares) e 16,5% em volume (337,8 mil toneladas embarcadas), de acordo com a União Brasileira de Avicultura. De janeiro a setembro, os embarques registraram crescimento 5% em volume (2,8 milhões de toneladas) e 17,2% em faturamento (US$ 4,9 bilhões de dólares). As exportações totais de 2010 devem fechar em US$ 6,8 bilhões de dólares resultantes da venda de 3,8 milhões de toneladas de carne de frango.
A preocupação da Acav resulta das perspectivas do comportamento do cá¢mbio no horizonte de 2011: tudo indica que o governo federal não mudará o regime em viência, com acentuada desvalorização do dólar frente ao real. Clever ávila prevê, no próximo ano, o aumento acelerado das importações de um lado e, a queda das exportações, por outro. O dirigente mostra que o real robusto e valorizado tem um aspecto bom – facilita investimentos na modernização do parque industrial e na modernização das empresas em geral. Entretanto, a manutenção de forma indefinida desse quadro origina um perigoso processo de desindustrialização interna brasileira.
Não podemos exportar empregos e sucatear a indústria nacional, como ocorreu na primeira fase do plano Collor, cujos danos foram responsáveis por arrasar setores inteiros, como a cultura do algodão ou a indústria eletroeletrônica, que levaram muito tempo para se recuperarem.Se isso ocorrer, teremos perdas sociais e econômicas enormes.†O dirigente diz que a importá¢ncia do setor é inquestionável: a avicultura brasileira emprega direta ou indiretamente 4,5 milhões de pessoas, produz 12 milhões de toneladas de carne, gera US$ 20 bilhões em movimento econômico e representa 1,5% do PIB nacional. Somente os 36 maiores exportadores de carne de frango sustentam 311 mil empregos diretos. O Brasil é o maior exportador mundial de frango, respondendo por 42% do comércio internacional. O país exporta 3 milhões 850 mil toneladas de carne congelada de frango por ano para mais de 150 países.








