Por que o dólar está caindo?

A diferença entre a taxa básica de juros no Brasil (Selic), atualmente em 10,75% ao ano, e no exterior – nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa varia entre zero e 0,25% – e a boa perspectiva econômica para o pais atraem investimentos estrangeiros e vêm derrubando a cotação da moeda norte-americana no mercado. No entanto, o enfraquecimento do dólar é um movimento mundial, explicado também pelo excesso de moeda que o Banco Central dos Estados Unidos tem imprimido para estimular a economia do país.

Em setembro, com ajuda da oferta de ações da Petrobras, o Brasil registrou a maior entrada de dólares por meio de operações financeiras da série histórica iniciada em 1982 pelo Banco Central. O fluxo ficou positivo em US$ 16,7 bilhões. O recorde anterior foi registrado em outubro de 2009, quando entraram US$ 13,1 bilhões em operações financeiras. Na época, o resultado foi influenciado pela oferta de ações do Santander Brasil.

A expectativa do governo era que, encerrada a capitalização, o movimento de valorização do real reduziria o fôlego. Contudo, não foi o que ocorreu. Por conta disso, a equipe econômica decidiu tomar medidas para combatê-lo.

O dólar muito baixo barateia os produtos importados no Brasil, facilitando a entrada de estrangeiros no país e substituindo parte do consumo de bens produzidos no Brasil. Ao mesmo tempo, o real forte prejudica a competitividade da indústria brasileira na hora de exportar, já que os principais mercados do país conseguem encontrar produtos mais baratos em economias com a moeda mais desvalorizada, como o yuan chinês.

Segundo o conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, da forma como estamos hoje, em especial diante das transações internacionais, teremos cada vez mais a substituição da produção local pela importação, com uma pressão crescente na substituição da mão de obra local pela mão de obra estrangeira. A China tem sido bastante criticada por sua política cambial, que desvaloriza artificialmente a moeda local para baratear os produtos chineses e, assim, aumenta as exportações do país. O cá¢mbio sempre foi fixo no país asiático.

Mas agora, com os países desenvolvidos tentando levantar suas economias após a crise econômica que atingiu o mundo em 2009, o assunto passou a ser centro dos debates. Isso porque, com o consumo interno ainda fraco, essas nações vêm tentando elevar suas exportações como forma de aumentar a atividade.

Soma

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