Quem quer comprar um túmulo?

Nos anos 70, Jayme Adissi trocou um charmoso bistrô francês no Rio de Janeiro por um terreno em Guarulhos (SP) com vocação para transformar-se em um cemitério. Por que não? Sempre podemos voltar”, foi sua conclusão, apesar da desconfiança dos amigos e de pessoas próximas, que falavam: quem, em sá consciência, faria isso?”. De vendedor porta em porta dos próprios jazigos, com uma malinha na mão e uma Brasília velha de companheira, Jayme Adissi se transformou 40 anos depois em um dos empresários mais destacados no setor. Hoje tem dois cemitérios, um crematório, três funerárias e dois planos de auxílio-funeral. De cinco funcionários no começo, hoje sua empresa emprega mais de 150. Foi ainda um dos fundadores das principais entidades que representam o setor.

Cemitério é um negócio lucrativo”, afirma. O setor funerário movimenta o equivalente a R$ 7 bilhões no Brasil e emprega mais de 50 mil pessoas, com crescimento médio de 8%. Sem contar um fato indiscutível: 0.7% da população brasileira morre por ano. Minha empresa cresce acima do mercado”, explica.

Adissi acaba de lançar o livro Quem quer comprar um túmulo?” (Editora Urbana), um livro de negócios com importantes dicas sobre gestão, vendas e marketing para empresários de todos os setores. Quem não é do ramo nem desconfia do alto nível de profissionalismo dos cemitérios e crematórios. Temos até um prêmio de excelência”, explica o empresário.

A virada de um simples cemitério para um serviço inovador cuja filosofia inclui atendimento ao cliente de forma mais humana e completa veio de uma forma trágica. Ao perder sua máe e ser tratado de forma desrespeitosa, Adissi percebeu a importá¢ncia que as empresas do setor funerário têm na vida das pessoas. Aos poucos, fui percebendo que a falta de tato com a clientela é a maior falha deste tipo de negócio. Lidamos com a fragilidade alheia”.

Humanização para ele virou um conceito concreto, uma forma de administrar o negócio. Humanizar é estar preparado, em cada detalhe, para cuidar do enlutado. በcarimbar a qualidade dos serviços, do sepultador que trabalha com a pá ao diretor, personalizando o atendimento de acordo com cada cliente”.

Logo Adissi percebeu que era necessário participar da cadeia inteira, da funerária, ao enterro ou cremação. O empresário também foi um dos primeiros a oferecer atendimento psicológico, tanto para os clientes quanto para a comunidade do entorno, e fornecer um treinamento qualificado aos funcionários.

Vender é o cerne do nosso negócio e, para isso, o fundamental sempre é agregar valor ao produto”, explica. Adissi investe em promoções e benefícios para seus clientes, assim como em ações de marketing inovadoras para fortalecer sua marca. O empresário também foi um dos primeiros a investir em comunicação e a entrar nas mídias sociais. Há ainda um tabu neste segmento, pois ele trata de morte, enterro. Mas basta um olhar atento para enxergar além, para perceber facetas que muita gente ignora e que podem ser bem lucrativas”.

Soma

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