Embora vejamos muitas mulheres brilhando em altos cargos nas empresas, o cenário corporativo mostra uma diminuição da participação feminina em cargos diretivos e um dos motivos é a falta de estrutura para a família. As mulheres não estão deixando de trabalhar; elas estão mais exigentes no que diz respeito á qualidade de vida, e em busca de alternativas capazes de satisfazer suas prioridades. Na América Latina, a média de mulheres ocupantes de cargos diretivos chega a 28%. No Brasil, em 2007, o país ocupava a segunda posição no ranking global, com 42% das mulheres em posição de liderança nas empresas. Já, este ano, o Brasil caiu para a vigésima primeira posição, com uma proporção de 24%. Essa estatística revela que as mulheres estão revendo suas prioridades e assumindo as rédeas de suas carreiras, sem que isso signifique o seu insucesso.
O curioso, segundo a diretora da ACTA e da DBM Sul, Carla Virmond Mello, é que os executivos, de um modo geral, têm se voltado para a família para priorizar os seus objetivos pessoais. E quando se fala de mulheres isso é ainda mais forte. Chega uma fase da vida que a satisfação pessoal pesa mais que os benefícios e o salário atraente. Essa é a hora de ir fazer o que quer realmente e dar um sentido para a carreira e a vidaâ€, aconselha.
በo caso de Andréa Gauté, de 40 anos, ex-gerente da Região Sul de uma empresa multinacional de gestão de pessoas, que, após 10 anos, decidiu fazer uma transição de carreira para dedicar-se a sua filha de 1 ano e 10 meses. Geralmente a mulher, depois de virar máe, se sente culpada por trabalhar e passar muito tempo longe do filho. Eu optei por uma relação de trabalho que me permite maior flexibilidade de horários e menor número de viagensâ€, afirma. Ainda segundo Andréa, esta transição foi planejada junto á empresa e estruturada de forma que não houvesse prejuízo ao negócio e para atender seu desejo de plenitude como máeâ€. As mulheres não estão deixando de trabalhar; elas estão mais exigentes no que diz respeito á qualidade de vida, e em busca de alternativas capazes de satisfazer suas prioridades. Aquela que dá conta da casa, dos filhos, do marido, prova que também consegue ter sucesso no trabalho e se destacar no mercado.
Uma das maneiras que as mulheres encontraram para organizar melhor o seu cotidiano é o empreendedorismo. Hoje, por exemplo, das 19 milhões de pessoas á frente de empreendimentos em estágio inicial no Brasil, 53% são mulheres. Essa diferença se dá pelas caracteísticas do público feminino, como a maior capacidade de realizar múltiplas tarefas, ser gestora de relacionamentos, ter maior inteliência emocional, ser competente na administração de conflitos, além de ser mais humilde e persistente. De acordo com a Endeavor, organização não-governamental que dá suporte aos empreendedores, as mulheres não só estão á frente dos negócios como também fazem dinheiro e criam ambientes de trabalho mais sadios. Segundo o órgão, as empresas que registraram um crescimento de 20% ao ano nos últimos três anos são administradas por mulheres.