Falta de mão de obra, burocracia e lentidão afastam investimentos do setor leiteiro
A pesquisa foi apresentada pelo coordenador geral Marcelo Pereira de Carvalho e apurou que os fatores que mais dificultam o crescimento da atividade leiteira são mão de obra qualificada, incertezas a respeito do mercado de leite e dos preços a receber, inexistência de contratos de vendas de leite de longo prazo, incertezas a respeito dos custos de produção e disponibilidade de capital para investimentos. Em menor escala também foram apontados outros aspectos, como serviços de qualidade, aquisição de matrizes, padrão sanitário, custo da terra, incertezas sobre como estruturar o sistema de produção, dificuldade para gerenciamento de propriedades rurais, legislação ambiental e qualidade dos equipamentos.
Foram considerados aspectos relevantes em relação ao ambiente de investimentos no setor leiteiro, a ausência de políticas públicas e de preços, custos maiores que os ganhos, falta de regulamentação de preços e de assistência técnica. Menos importantes, mas também indicados, foram a modificação da Instrução Normativa 51, importações excessivas, escassez de mão de obra, dificuldade para obtenção de financiamentos, contrato futuro de preços, investimento alto e retorno lento dos investimentos, maiores peíodos de carência nos financiamentos, juros e incerteza se o Brasil tornou-se competitivo.
O coordenador expôs que o consumo interno tem aumentado em razão do crescimento do poder aquisitivo das classes B e C. Os preços estão bons, há proteção contra importações, mas a produção cresce menos que o consumo. Há mais concorrência com outras atividades, o custo de oportunidade de trabalho vem crescendo, os custos de produção estão mais voláteis e mais altos que na média. Enquanto isso, o leite importado ganha competitividade. Nesse quadro, há vantagem temporária para propriedades com mão de obra familiar e produção de alimentos. Mas há necessidade de aumento da eficiência de produção.
Os produtores e empresários rurais tem dificuldades para obtenção de financiamentos: 48% não tomam financiamentos por causa da burocracia e 36% em razão da lentidão e demora. Uma majoritária parcela (52%) considera os encargos excessivos para a rentabilidade do setor e 55% avaliam como demasiado curto o prazo de carência. Carvalho demonstrou que além da falta de recursos humanos e as indefinições de mercado, há forte desconhecimento sobre instrumentos de gestão de risco, o que reduz o nível de eficiência dos estabelecimentos rurais.








