Falta de mão de obra, burocracia e lentidão afastam investimentos do setor leiteiro

Falta de mão de obra, incerteza do mercado e lentidão na aprovação de financiamentos são fatores que limitam a expansão da atividade leiteira no Brasil. A conclusão é da pesquisa sobre Ambiente institucional como fator de atração de investimentos para o setor feita pelo Milkpoint e apresentada no  Interleite Sul 2012 (3o Simpósio Internacional sobre a Produção Competitiva de Leite) que encerra-se nesta quinta-feira (5), em Chapecó, reunindo 1.000 profissionais do setor, produtores, industriais e pesquisadores. O Simpósio oportunizou uma completa e atualizada radiografia das inovações e tendências do universo do leite com os melhores especialistas e as maiores lideranças do segmento. A realização é do MilkPoint e AgriPoint, em parceria com o Núcleo Oeste de Médicos Veterinários.     Mais de duas dezenas de palestras de alto nível compuseram a programação.

A pesquisa foi apresentada pelo coordenador geral Marcelo Pereira de Carvalho e apurou que os fatores que mais dificultam o crescimento da atividade leiteira são mão de obra qualificada, incertezas a respeito do mercado de leite e dos preços a receber, inexistência de contratos de vendas de leite de longo prazo, incertezas a respeito dos custos de produção e disponibilidade de capital para investimentos. Em menor escala também foram apontados outros aspectos, como serviços de qualidade, aquisição de matrizes, padrão sanitário, custo da terra, incertezas sobre como estruturar o sistema de produção, dificuldade para gerenciamento de propriedades rurais, legislação ambiental e qualidade dos equipamentos.

Foram considerados aspectos relevantes em relação ao ambiente de investimentos no setor leiteiro, a ausência de políticas públicas e de preços, custos maiores que os ganhos, falta de regulamentação de preços e de assistência técnica. Menos importantes, mas também indicados, foram a modificação da Instrução Normativa 51, importações excessivas, escassez de mão de obra, dificuldade para obtenção de financiamentos, contrato futuro de preços, investimento alto e retorno lento dos investimentos, maiores peíodos de carência nos financiamentos, juros e incerteza se o Brasil tornou-se competitivo.

O coordenador expôs que o consumo interno tem aumentado em razão do crescimento do poder aquisitivo das classes B e C. Os preços estão bons, há proteção contra importações, mas a produção cresce menos que o consumo.  Há mais concorrência com outras atividades, o custo de oportunidade de trabalho vem crescendo, os custos de produção estão mais voláteis e mais altos que na média. Enquanto isso, o leite importado ganha competitividade. Nesse quadro, há vantagem temporária para propriedades com mão de obra familiar e produção de alimentos. Mas há necessidade de aumento da eficiência de produção.

Os produtores e empresários rurais tem dificuldades para obtenção de financiamentos: 48% não tomam financiamentos por causa da burocracia e 36% em razão da lentidão e demora. Uma majoritária parcela (52%) considera os encargos excessivos para a rentabilidade do setor e 55% avaliam como demasiado curto o prazo de carência. Carvalho demonstrou que além da falta de recursos humanos e as indefinições de mercado, há forte desconhecimento sobre instrumentos de gestão de risco, o que reduz o nível de eficiência dos estabelecimentos rurais.

Soma

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