Formar cadeia local de fornecedores é o maior desafio para indústria automotiva paranaense

O Paraná deve fortalecer a cadeia de fornecedores para que sua indústria automotiva efetivamente se consolide como um dos principais polos do setor no país. A conclusão é de empresários e representantes de montadoras que, nesta segunda-feira (16), participaram de mais uma das reuniões dos Fóruns Setoriais 2012, promovidos pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para levantar as principais demandas do diferentes segmentos industriais do estado. Atualmente, o Paraná é o terceiro principal polo automotivo do Brasil, com 604 empresas (10,8% do total do país) e 43 mil trabalhadores (8,52% do total). Apesar disso, os representantes do segmento temem que, em um futuro próximo, o Estado perca participação na produção nacional. Além do anúncio de altos investimentos em outros estados, como Rio de Janeiro e Bahia, um dos fatores de preocupação é justamente a falta de fornecedores instalados no Estado. Hoje, 70% dos fornecedores da indústria automotiva brasileira estão instalados em São Paulo, principalmente por questões logísticas que reduzem seus custos”, explicou o diretor de relações institucionais e governamentais da Renault do Brasil, Antonio Calcagnotto.

Com isso, o custo para se produzir um veículo no Paraná fica, em média, cerca de U$ 300 mais caro do que um fabricado em São Paulo. Uma das soluções apontada pelos participantes do Fórum Setorial para aumentar a competitividade do segmento no Estado seria investir na atração de fornecedores. Para isso, defendem a implantação de políticas de incentivos fiscais específicas para o setor, além da melhoria de condições de infraestrutura para que mais empresas de autopeças se instalem em território paranaense.

Outro entrave, segundo os participantes, é a dificuldade encontrada nas relações com os sindicatos que representam os trabalhadores da indústria automotiva no Estado. Algumas empresas não estão vindo para cá e outras estão indo embora por causa desse ambiente difícil nas negociações”, afirmou o empresário Benedicto Kubrusly Júnior, diretor regional no Paraná do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Melhorar essa relação é importante para que tenhamos um ambiente verdadeiramente propício para a iniciativa privada no Estado”, acrescentou.

O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, colocou a entidade á  disposição do setor para o diálogo com representantes dos trabalhadores, a fim de buscar soluções conjuntas para que a indústria automotiva mantenha seu crescimento no Paraná. በpreciso dialogar com os sindicatos para que o Estado não perca competitividade por causa do impacto do custo do trabalho para as empresas”, disse.

O vice-presidente da Fiep, Nelson Há¼bner, que é empresário do setor, também defendeu uma maior união da indústria automotiva paranaense na busca por melhores condições de produção. Precisamos de uma maior aproximação entre toda a cadeia produtiva e também uma maior articulação com o poder público, que precisa conhecer nossa realidade”, disse Há¼bner. Ainda dentro da programação do Fórum Setorial, os representantes do segmento fizeram uma visita técnica á  unidade da Renault em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Eles conheceram a linha de produção da empresa e foram recebidos pelo vice-presidente da companhia no Brasil, Alain Tissier, que apresentou dados sobre a fábrica.

Soma

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