Perda na safra de milho dos EUA deve chegar a 100 milhões de toneladas

Pelas estimativas de consultores brasileiros, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, previsto para ser divulgado até o fim da semana, deverá apontar uma quebra entre 90 e 100 milhões de toneladas na safra de milho americana em função da seca que atinge as lavouras dos Estados Unidos. A previsão é do consultor da Agroconsult, André Pessôa, e foi feita durante entrevista coletiva dos organizadores do 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), nesta segunda-feira (6), em São Paulo.

Segundo Pessôa, essa situação deve favorecer o produtor brasileiro. Nossa estimativa é que o Brasil, que este ano já exportou 10 milhões de toneladas de milho, poderá alcançar a marca de 15 milhões no próximo ano”, acredita. O otimismo dos analistas é grande também em relação aos resultados da safrinha de milho. De acordo com Pessôa, ela deve atingir 70 milhões de toneladas. Junto com a projeção de 84 milhões de toneladas de soja, o analista acredita que a próxima safra poderá chegar a 200 milhões de toneladas.

Para o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que fez a palestra de abertura do Congresso da Abag, o cenário do agronegócio brasileiro é bastante promissor. Segundo ele, em função de um mercado interno forte, diná¢mico e que teve grande expansão nos últimos anos, o Brasil tende a não sofrer tanto as consequências de uma conjuntura internacional adversa, marcada por desaceleração na China, estagnação na Europa e recuperação lenta da economia americana. O Brasil é um dos poucos países no mundo cuja renda dos mais pobres cresceu mais do que a da parcela mais rica da população”, lembra Coutinho. De acordo com ele, nos últimos anos a renda dos 20% mais pobres teve um crescimento de 6,6%, enquanto a dos 20% mais ricos crescia apenas 1,8%. Isso explica o fato de que nos últimos cinco anos, o consumo das famílias só não tenha aumentado em dois trimestres”, comenta.

Coutinho salienta que boa parte dessa situação favorável da economia brasileira, mesmo com um cenário externo negativo, se deve ao agronegócio. O agronegócio, que hoje representa 22,1% do PIB, tem sido o grande esteio da estabilidade econômica brasileira. በele que tem conseguido suprir a oferta de alimentos para uma sociedade cada vez mais urbana sem que isso represente pressão inflacionária. በo agronegócio que também tem garantido um superávit comercial que assegura um nível de reservas internacionais que ajudou a blindar nossa economia contra as crises internacionais”, conclui o presidente do BNDES.

Soma

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