Brasil cria novos negócios a uma taxa três vezes maior do que as economias do G7

Wesley Montechiari Figueira: "Com o recente esfriamento da economia, o governo precisa reduzir a burocracia, e fazer isso em regime de urgência”.
Wesley Montechiari Figueira: “Com o recente esfriamento da economia, o governo precisa reduzir a burocracia, e fazer isso em regime de urgência”.

A taxa de criação de novos negócios no Brasil é três vezes maior do que a média dos países do G7, segundo pesquisa da RSM, sétima maior rede de empresas de auditoria e consultoria tributário do mundo. Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou crescimento de 993.200 novos negócios, ou um aumento de 5,2%. Em contraste, os países do G7 tiveram uma taxa de crescimento de 846 mil novos negócios, ou uma elevação de 0,8% de crescimento sobre o número de empresas ativas.

A taxa líquida de criação de novas empresas no Brasil, no entanto, fica dentro da média dos BRICS. No mesmo período, as economias dos BRICS produziram 4,8 milhões de novas empresas, numa taxa de crescimento composta anual de 5,8%.

Os profissionais da RSM estudaram os dados de nascimentos e mortes de empresas nos últimos cinco anos em 35 países de sua rede, incluindo o chamado “G7” bem como economias emergentes, incluindo os países do BRICS. De acordo com a RSM, governos ao redor do mundo têm buscado meios de estimular o empreendedorismo, na esteira da crise financeira, mas a pesquisa demonstra claramente que muitos empreendimentos se defrontam com aumentos de tributos e dificuldades de acesso a financiamento. Há muito mais a ser feito para aumentar a criação e a sobrevivência dos novos negócios.

Dos 35 países da amostra, Hong Kong exibe a maior taxa de criação de novos negócios, nos últimos cinco anos – 9,9%, numa base anualizada, de  655 mil para 956 mil, enquanto a África do Sul mostra o maior declínio no número de empresas ativas –  3,8% (negativos) por ano, ou de 956 mil empresas ativas para 817,6 mil.

Para Jean Stephens, CEO da RSM, “enquanto a maior parte dos países vê o número de suas empresas ativas crescer nos últimos cinco anos, para um número significativo deles a taxa anual é inferior a 2%. A divergência entre o G7 e os BRICS é particularmente chocante. Os BRICS criaram mais negócios a uma taxa quase sete vezes maior do que maior parte dos países G7, desde o início da atual crise financeira”.

De acordo com Stephens, a criação de negócios é vital, principalmente quando se analisa a criação de empregos.  “Os governos podem fazer mais para encorajar o empreendedorismo e auxiliar os novos negócios a prosperar. Em muitas economias, a falta de financiamentos é o maior impedimento para começar e tocar um novo negócio. Desde a crise financeira, os bancos reduziram sua exposição ao risco, e estão sob pressão para reter capital em reservas, o que reduz sua capacidade de emprestar, principalmente a novos negócios”, observa o CEO da RSM.

Na avaliação de Wesley Montechiari Figueira, sócio da RSM ACAL, membro brasileiro da RSM, o Brasil cresceu muito baseado no beneficio dos altos valores das commodities. Com a redução da demanda da China, o crescimento está se reduzindo. “Começar e tocar um novo negócio no Brasil é difícil, como todos sabermos. Sistema tributário complexo, um grande número de regras e exigências, falta de financiamento adequado podem sufocar o empreendedorismo. Com o recente esfriamento da economia, o governo precisa reduzir a burocracia, e fazer isso em regime de urgência”, completa.

A pesquisa da  RSM mostra que o México apresenta uma das mais altas taxas de crescimento no número de negócios ativos nos últimos cinco anos – de 1,1 milhão para 1,4 milhão, ou uma taxa anualizada de 6,6%.

Alfonso Elias, presidente da RSM Bogarín, no México, explica que “o México tomou uma pancada forte da crise financeira mundial, mas se recuperou de forma igualmente dramática. A economia agora anda a um ritmo mais acelerado que o do próprio Brasil. A medida que o custo da mão de obra e fretes na China sobem, o México volta a ser um destino cada vez mais atraente para empresas norte-americanas e suprimem o seu mercado interno”.

No outro lado dessa mesa, Portugal tem visto o número de negócios ativos declinar à taxa anual de 0,8%, ou seja, de 616 mil para 596 mil negócios ativos. Joaquim Patricio da Silva, sócio diretor da RSM Patricio, Moreira, Valente & Associados, em Portugal, comenta que “Portugal está às voltas com sua maior recessão desde os anos setenta. O governo busca formas de fazer com que as empresas portuguesas sejam mais competitivas e atrair, por decorrência, investimentos do exterior, através do corte de imposto de renda sobre o lucro, atualmente em 24%”.

Um dos mais interessantes contrastes revelados pelos dados é a relativamente forte performance de países europeus, comparativamente com a América do Norte (EUA e Canadá). Nos últimos cinco anos, os países da União Europeia (os 12 incluídos nessa pesquisa) produziram um crescimento líquido de 1,2 milhão de novos negócios, num crescimento anual médio de 1,4% no período desse estudo. Em contraste, a América do Norte (EUA e Canadá) adicionaram  apenas 158 mil novas empresas, representando 0,4% de crescimento anual, entre 2007 e 2011.

De acordo com Jean Stephens, CEO da RSM, muito se fala sobre o crescimento do número de empresas “zumbis” em economias em dificuldade. Segundo ele, essas empresas estão de fato sendo mantidas vivas por uma taxa de juros baixa que é recorde histórico, e uma política de pressionar os bancos para não “tirarem o tubo de oxigênio” dos créditos bancários. O setor bancário em muitos países europeus tem estado sob pressão significativa para apoiar empresas em dificuldades, o que pode explicar em parte por que muitos países europeus mostram taxas mais altas de criação de novos negócios e de sobrevivência dos negócios antigos do que os EUA ou o Canadá”.

Número Total de Empresas ativas (em milhares) – 2007-2011

 

2007

2008

2009

2010

2011

Taxa Anualizada de Crescimento

G7

25,968

26,293

26,344

26,543

26,814

0.8%

BRICS

19,361

20,386

21,266

22,644

24,219

5.8%

Hong Kong

655

711

772

864

956

9.9%

Chipre

184

208

221

237

254

8.4%

Albânia

80.1

94.5

95

103

109

8.0%

China

9,600

9,715

10,427

11,365

12,531

6.9%

Suíça

499

514

526

537

648

6.8%

México

1,093

1,157

1,213

1,316

1,411

6.6%

Rússia

3,635

     4,232

4,470

4,556

4,555

5.8%

Brasil

4,420

4,607

4,847

5,129

5,414

5.2%

Holanda

956

1,021

1,089

1,124

1,170

5.2%

Ucrânia

2,337

2,516

2,685

2,759

2,860

5.2%

Cingapura

329

358

367

382

397

4.8%

Índia

750

789

803

847

902

4.7%

França

2,949

3,022

3,107

3,318

3,511

4.5%

Nova Zelândia

474

506

521

533

564

4.4%

Tunísia

520

542

568

597

602

3.7%

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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