Estudo mostra vantagens nas cidades que recebem shopping center
Com o objetivo de analisar o impacto socioeconômico gerado numa determinada cidade a partir da chegada de um novo shopping center, a Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce) encomendou um estudo realizado em 20 municípios entre 90 mil e 1 milhão de habitantes que tiveram shoppings centers inaugurados entre 2007 e 2011. Os resultados obtidos foram comparados com outros 20 municípios que não possuíam shopping, mas com localização geográfica próxima, renda familiar, população e PIB aproximados das cidades com shopping. Desta forma, foi realizada análise evolutiva de diversos indicadores socioeconômicos no período de dois anos antes e dois anos após a inauguração dos shoppings.
Entre os principais resultados destacados nas cidades analisadas que receberam um shopping Center estão uma valorização imobiliária de 46% na região do entorno do shopping; aumento de 82% na arrecadação do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano); crescimento de 168% do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), que demonstra as transações ocorridas no setor imobiliário; crescimento de 130% de arrecadação do ISS e 79% de ICMS; crescimento de 52% da frota de veículos. As cidades com shopping também tiveram um aumento de 67% no número total de postos de trabalho contra um crescimento de apenas 37% das cidades sem shopping.
Dados do estudo revelam ainda que a chegada dos centros de compras também provoca uma reativação de estabelecimentos de comércio e serviços no entorno, derrubando assim o estigma de que shoppings prejudicam o comércio de rua.
Os setores comercial e de serviços mostraram-se diretamente impactados pela implantação de um shopping center. O estudo aponta que grande parte das cidades tem nos setores de comércio e de serviços os grandes motores da economia local, os quais possuem grande relevância na arrecadação de impostos e na geração de empregos. Além de gerar receitas tributárias, o shopping center gera maior formalização dos serviços e do comércio local, estimulando a qualificação e a profissionalização no comércio e nos prestadores de serviços da região, que por sua vez buscam equiparar-se ao nível da nova oferta comercial implantada, gerando um ciclo virtuoso entre os setores.
Um shopping de porte médio gera aproximadamente duas mil vagas de empregos diretos. Durante o período analisado observou-se um crescimento do número de postos de trabalho cresceu 34% nas cidades com shopping contra apenas 14% das cidades sem shopping. Este número reflete não só os postos de trabalho criados pelo shopping, mas também o surgimento de novas empresas prestadoras de serviço e comércios no entorno do empreendimento.
O número de empregos totais nas cidades com shopping também cresceu significativamente. As cidades com shopping tiveram um aumento de 67% no número total de postos de trabalho contra um crescimento de apenas 37% das cidades sem shopping.
O desenvolvimento urbano e social que a chegada do shopping center agrega a um município pode ser avaliado pelo aumento da qualidade de vida dos cidadãos. Para isso, são analisadas as seguintes informações: empregos por habitante, frota de veículos, impressões quanto a melhoras urbanas ocorridas na região e impressões quanto a mudanças no setor comercial da região.
A evolução da relação de empregos por número de habitantes mostra-se superior em municípios com shopping center, 37%, do que as cidades analisadas que não receberam um centro de compras, 22%. Esta relação mostra-se ainda mais clara quando se analisa empregos ligados aos setores de comércio e serviços: o crescimento foi de 34% nas cidades com shoppings e 14% nas cidades sem.
O crescimento da frota de veículos de uma cidade que recebeu um shopping center foi de 52% ante a 43% das cidades comparadas. A frota de veículos é considerada um importante indicador de desenvolvimento econômico de uma cidade por sinalizar a melhora na qualidade de vida da população no que se refere ao acesso ao crédito, evolução de renda e poder de compra e urbanização.
Segundo 59% dos moradores das cidades analisadas, houve a percepção de melhorias físicas nas residências próximas ao shopping. A impressão é que a chegada de um shopping center novo, com arquitetura aprazível, além de urbanizar regiões ainda pouco exploradas, valoriza os imóveis existentes.
Apesar de ainda existir o estigma de que a chegada de um shopping center prejudica e até compromete a sobrevivência do varejo de rua, pode-se observar, nas lojas de rua, um movimento rumo à renovação e atualização dos ativos, assim como a qualificação do atendimento e dos serviços. Portanto, a competição mostra-se saudável na direção do aumento na qualidade geral dos serviços prestados.
Da mesma forma, tende a ocorrer a ampliação do mix local, com a instalação de novas redes varejistas de atuação nacional e marcas consagradas. Essas novas operações são atraídas pela nova dinâmica do comércio local, muitas vezes impactada pela abertura do shopping.
A indústria de shopping centers no Brasil vem demonstrando um crescimento vigoroso nos últimos tempos. Só nos últimos cinco anos foram inaugurados 94 empreendimentos em todo o País. O faturamento do setor já representa 19% de todas as vendas do varejo nacional. Em dezembro de 2012 havia exatos 457 shoppings em operação. Estima-se que existam 498 no final de 2013.








