Fatores macroeconômicos levam comércio varejista à estagnação
Afetado por uma combinação de fatores econômicos, o comércio varejista desacelera pelo terceiro mês consecutivo, o que levou a um tímido crescimento de 0,6% das vendas a prazo no mês de junho, em relação ao mesmo período do ano passado. Este foi um dos aspectos apresentados pela última pesquisa realizada pelo SPC-Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgada nesta quarta-feira (10). Outro dado apontado pelo levantamento mostra uma retração nas vendas de 3,7%, na comparação ao mês de maio. A pesquisa leva em consideração mais de 150 milhões de consumidores cadastrados em 800 mil pontos de vendas espalhados pelo país.
De acordo com André Luiz Pellizzaro, gestor presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Curitiba, fatores macroeconômicos como a alta da inflação, somada à pressão do aumento de preços, causado pela alta do dólar; o encarecimento do crédito, por conta da alta taxa de juros; e a baixa na produção industrial – que reduz a oferta –, proporcionaram este cenário de estagnação.
De acordo com Pellizzaro, um fator macroeconômico em especial está ajudando a manter, momentaneamente, a economia em estado de alerta e não de pessimismo: o alto nível de emprego. A pesquisa mensal do emprego industrial, divulgada também nesta quarta-feira (10), pelo IBGE, mostra a queda de 0,5%.
A pesquisa do SPC aponta ainda que fatores como a realização dos jogos da Copa das Confederações, somados aos feriados ocasionados por conta do evento esportivo, e as manifestações populares também contribuíram para o baixo desempenho do comércio varejista no último mês.
Em junho, o índice de inadimplência apresentou crescimento de 1,52%, analisando a comparação com o mesmo período de 2012. Já na comparação com o mês anterior, o número de CPF’s negativados apresentou um crescimento de 1,1%. No acumulado do semestre o aumento chegou ao patamar de 6,4%.
Pellizzaro aponta que o governo federal está tomando medidas para tentar conter a inflação. Segundo ele, um destes sinais foi o anúncio de um plano de contenção de despesas da ordem de R$ 15 bilhões. “Enxugar a máquina é uma das estratégias que visa conter o avanço da inflação para que este feche o ano próximo do esperado pelo governo”, pondera.







