Impacto da corrupção sobre os negócios será tema de debate com especialista da ONU
A corrupção aumenta em até 10% os custos para se fazer negócios globalmente e o montante total desviado no planeta pode chegar a US$ 1 trilhão ao ano, segundo dados do Banco Mundial. No Brasil, estudos estimam que práticas corruptas tirem dos cofres públicos e da economia nacional R$ 85 bilhões anualmente. Esses e outros indicadores, além do papel das empresas nessa questão, serão debatidos durante o primeiro de quatro painéis do Fórum Transparência e Competitividade. O evento, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná, através do Sesi, e pelo Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), acontece nos dias 5 e 6 de novembro, no Campus da Indústria, em Curitiba.
O painel “Qual o impacto da corrupção e o papel das empresas?” abre a programação do segundo dia do fórum. O tema será abordado pela chefe do Setor de Transparência e Anticorrupção do Pacto Global das Nações Unidas, a nigeriana Olajobi Makinwa. “A corrupção distorce mercados, mina o desenvolvimento e torna os negócios insustentáveis. Sustentabilidade e crescimento de mercado não podem ser alcançados enquanto a corrupção é predominante”, afirma. Ela também falará sobre as ações do Pacto Global na tentativa de alterar essa realidade. O pacto é uma iniciativa da ONU com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
No mesmo painel, a brasileira Mariana Mota Prado, doutora em Direito e professora da Universidade de Toronto, abordará questões relacionadas à legislação de combate à corrupção. Na instituição canadense, ela desenvolve atualmente, junto com Lindsey Carson, um projeto de pesquisa sobre a legislação da política econômica de anticorrupção e lobby no Brasil. Para a pesquisadora, o país possui um conjunto robusto de leis nessa área, mas isso não garante a redução dos indicadores de corrupção. “O alto nível da atividade legislativa na esfera anticorrupção está diretamente relacionado a deficiências nos respectivos mecanismos de aplicação”, diz o estudo.
O papel das empresas no combate à corrupção também será tratado pelo presidente do Sistema Fiep, o empresário Edson Campagnolo. O painel será moderado pelo gerente do Programa de Desenvolvimento Local do Unitar, o equatoriano Alex Mejía, que antes de ingressar no órgão das Nações Unidas, atuou como representante de seu país junto a instituições como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O painel “Qual o impacto da corrupção e o papel das empresas?” acontece das 9h às 10h30 do dia 6 de novembro. A programação completa do Fórum Transparência e Competitividade está disponível no site www.naopodepassarembranco.com.br. Na página também é possível fazer, gratuitamente, a inscrição para acompanhar o evento.








