Após três meses no vermelho, o PMI industrial recupera em outubro
As condições operacionais da economia do setor industrial do Brasil melhoraram em outubro, embora fracionariamente. Apesar da estagnação de novos pedidos e de um declínio mais rápido dos negócios para exportação, a produção cresceu pelo ritmo mais rápido desde maio. O Índice Gerente de ComprasTM – HSBC, Brasil (PMITM), sazonalmente ajustado, aumentou de 49,9 em setembro para 50,2 no último mês, registrando acima de marca crucial de 50,0 pela primeira vez em quatro meses. Mesmo assim, a leitura de outubro foi consistente com uma melhoria apenas fracionária das condições operacionais.
Os fabricantes aumentaram seus níveis de produção, em meio a expectativas de melhores condições econômicas e de previsões de uma demanda mais forte por parte dos clientes. O crescimento da produção foi moderado, mas foi o mais rápido desde maio. Todos os três subsetores monitorados registraram níveis de produção mais elevados, com o aumento mais rápido sendo observado junto às empresas de bens de consumo.
Após três meses consecutivos de contração, o volume de entrada de novos trabalhos se estabilizou em outubro. Os dados do setor indicaram que o crescimento do volume de novos pedidos junto aos produtores de bens de consumo e de produtos semiacabados contrabalançou um declínio observado na categoria de bens de capital. Porém, o volume de pedidos para exportação caiu pelo ritmo mais rápido desde julho. As evidências indicaram uma queda na demanda proveniente de clientes da Europa e dos EUA. Em outubro, a retração dos negócios provenientes do exterior foi ampla, com todos os três subsetores abrangidos pela pesquisa registrando declínios.
Como resultado, a força de trabalho foi reduzida em outubro, estendendo a sequência atual de cortes de empregos para sete meses. A taxa de redução foi, no entanto, ligeira apenas com a maioria dos entrevistados (92%) indicando uma ausência de mudanças no nível de funcionários em relação ao mês passado.
Como reflexo da ausência de novos projetos, os fabricantes brasileiros completaram um maior volume de pedidos em atraso em outubro. Os níveis de negócios inacabados caíram pelo oitavo mês consecutivo, com a taxa de contração permanecendo sólida.
Os preços médios de compra cresceram ainda mais em outubro, e a taxa de inflação de custos atingiu um recorde de alta de cinco anos. Os entrevistados da pesquisa indicaram que o enfraquecimento do real levou a preços mais altos pagos por matérias-primas importadas (dos EUA em particular). O aumento mais acentuado foi observado nas empresas de bens de capital.
Ao mesmo tempo, os preços médios de venda foram aumentados novamente em outubro. De um modo geral, a taxa de inflação de preços cobrados se acelerou atingindo o seu ponto mais forte na história da pesquisa (igualando a de julho de 2008)
Os níveis de estoques na economia industrial brasileira caíram em outubro, com as empresas tentando reduzir os custos de gerenciamento de bens finais armazenados. O declínio nos estoques de produtos finais se desacelerou por um ritmo marginal, enquanto que os de matérias-primas e de produtos pré-fabricados se reduziram por uma taxa mais rápida do que a observada em setembro.








