Em uma semana, Argentina barra mais 150 mil pares de calçados brasileiros

Para Heitor Klein é inaceitável que o Governo Federal aceite as restrições que deterioram o segundo mais importante mercado para o calçado brasileiro.
Para Heitor Klein é inaceitável que o Governo Federal aceite as restrições que deterioram o segundo mais importante mercado para o calçado brasileiro.

O impasse com a Argentina segue acumulando prejuízos para os calçadistas brasileiros. Conforme levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em uma semana, os argentinos barraram mais de 150 mil pares do produto verde-amarelo. Agora já são 895 mil pares retidos, o que equivale a um prejuízo de mais de US$ 17,7 milhões. O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, ressalta que, em alguns casos, os calçados estão retidos desde julho deste ano. “O prazo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio – OMC – para a liberação é de 60 dias. O caso se torna ainda mais grave por acontecer no âmbito do Mercosul”, reclama. Segundo o executivo, é inaceitável que o Governo Federal aceite as restrições que deterioram o segundo mais importante mercado para o calçado brasileiro. “Já não bastassem os problemas de competitividade que enfrentamos, ainda arcamos com o ônus da passividade oficial na questão”, acrescenta.

O receio da Abicalçados é de que os entraves impostos pelo governo Cristina Kirchner ocasionem cancelamentos, visto que o calçado negociado corre o risco de não estar nas vitrines argentinas para as festas de final de ano. “Muitas empresas estão desistindo de exportar para a Argentina, o que é lamentável, pois existe uma demanda grande por calçado brasileiro no País. Estamos assistindo a deterioração do nosso, ainda, segundo principal mercado além-fronteiras”, conclui Klein.

Recente pesquisa da Abicalçados com associados apontou que 39% das empresas ouvidas desistiram de exportar para a Argentina devido a imprevisibilidade dos negócios. As exportações brasileiras de calçados estão em queda livre para a Argentina. Em setembro as exportações caíram 44% em dólares e 67,7% em pares no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Naquele mês, os “hermanos” importaram 866,5 mil pares pelos quais pagaram US$ 11,4 milhões. A tendência, mantidas as barreiras, é de queda ainda maior até o final do ano.

O governo argentino instituiu, em 2012, a necessidade da Declaração Juramentada Antecipada de Importação (DJAI), burocracia que obriga o exportador declare suas intenções de investimento em solo argentino através da política informal do uno por uno (para cada dólar importado um deve ser investido no País). Na prática, a política visa, através de uma manobra protecionista, equilibrar a balança comercial argentina. Alguns calçados brasileiros aguardam liberação desde julho. A Abicalçados alerta para o risco de cancelamentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *