Infraestrutura deficiente prejudica a agricultura brasileira

“Não dá para dissociar a produção agrícola da política brasileira. São decisões políticas que norteiam os produtores na escolha do que vão plantar e de como vão vender.” As palavras do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, no discurso de abertura do Encontro Estadual de Empreendedores Rurais, realizado nesta sexta-feira (29), resumem a importância de um suporte político adequado para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Nesta edição do evento, que reuniu mais de 5 mil produtores rurais de todas as regiões do Estado no Expotrade Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, quem proferiu a palestra magna foi o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, que destacou os desafios enfrentados pelo homem e pela mulher do campo na busca pelo empreendedorismo.
A infraestrutura logística deficiente, que abrange estradas ferrovias, portos, aeroportos e armazéns, foi apontada por vários dirigentes como o principal entrave do desenvolvimento econômico. Para o governador Beto Richa “A falta de investimentos em infraestrutura é um gargalo crítico do nosso país”. Segundo ele, os produtores rurais têm feito a sua parte, se modernizando e obtendo níveis de produtividade cada vez maiores, mas acabam sendo penalizados quando precisam escoar a produção. “Da porteira para dentro eles têm cumprido sua missão, movimentando principalmente a economia das nossas pequenas cidades”, afirmou.
Na opinião do governador pernambucano, Eduardo Campos, nas últimas três décadas o Brasil deu passos importantes, “Mas deixou de fazer a lição de casa que deixaria o país mais forte”, disse referindo-se aos investimentos em infraestrutura. Segundo Campos, hoje 30% da produção agropecuária se perde por falta de logística. “Quem acorda cedo, trabalha duro e cumpre a legislação, às vezes é derrotado pelo poder público que não se capacita e não inova”, lamentou. Para o pernambucano, é preciso realizar um pacto para o desenvolvimento “Mas não tem como fazer isso sem antes ouvir o campo brasileiro”, destacou.
Também o senador Álvaro Dias apontou o descaso do governo federal com a produção agropecuária. “No Brasil, há um governo que promete muito, realiza pouco e desrespeita o produtor brasileiro. No campo, nosso agricultor é imbatível, mas na hora da exportação, da venda, ele é esmagado”, ponderou.
Eduardo Campos também destacou a importância do trabalho da FAEP com o programa Empreendedor Rural. “É um exemplo de uma federação ativa que incentiva o acesso ao conhecimento e no final do ano destaca aqueles que cumpriram essa busca”. Segundo ele, um dos grandes desafios do Brasil daqui para a frente é “Planejar o país valorizando o diálogo entre o campo e a cidade”.
Também o presidente da Federação dos Tabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Ademir Mueller, destacou em seu discurso a importância dos programas de aprendizagem e capacitação desenvolvidos pelo SENAR-PR e pela FAEP, como é o caso do Empreendedor Rural, que tem como parceiro a Fetaep. “A formação é um elemento estratégico, esse programa, ao longo dos seus dez anos de existência, tem se prestado ao desenvolvimento do empreendedorismo”, afirmou.
Opinião semelhante tem o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, que na ocasião representou o Sebrae. Ele destacou a liderança da FAEP junto aos produtores rurais do Estado, fomentando o empreendedorismo e dando o suporte necessário para o desenvolvimento do agronegócio. “A pequena propriedade e a grande, são como uma empresa que trabalha com resultados”, disse. Segundo ele, “O que segurou o Brasil foi o campo. Foi o trabalho dos senhores que segurou a balança comercial”, disse dirigindo-se à plateia de produtores rurais.
A vencedora do programa Empreendedor Rural 2013, Marina Araújo, da cidade de Candoi, recebeu como prêmio uma bolsa de estudos no curso de Agronomia, ou Medicina Veterinária no Centro Universitário de Maringá (Cesumar).








