Empresas sem experiência devem começar por mercados próximos
Empresas que ainda não possuem experiências no comércio exterior devem investir em mercados mais próximos e que tenham, se possível, semelhanças de cultura e linguagem. O assunto foi um dos temas abordados no ciclo de palestras da “Oficina de Negócios Brasil Trade”, evento promovido pela Apex e Fiep, por meio do Centro Internacional de Negócios, para aproximar empresas não-exportadoras de trading companies, empresas experientes em fomentar parcerias e negócios no mercado internacional. O evento aconteceu na última quinta-feira (24), no Campus da Indústria em Curitiba, e reuniu mais de 100 empresas. “Começar por mercados mais próximos faz com que as empresas adquiram experiência e conhecimento”, afirmou a analista de negócios do CIN, Naijla El Alam, que apresentou a palestra “Internacionalização: como começar?”. Segundo ela, a empresa também deve ter pelo menos um profissional com expertise no mercado externo e entender que as negociações mudam de país para país. “No CIN oferecemos serviços de inteligência comercial que auxiliam os empresários na internacionalização das empresas, dando todo o suporte e conhecimentos necessários para a iniciação em exportação”, afirmou.
Para a analista, algumas perguntas devem ser feitas antes do empresário optar pelo mercado internacional, entre elas, por que a empresa quer exportar, qual o percentual do produto poderá ser exportado e se os concorrentes nacionais e internacionais são conhecidos. “Isso vai permitir que o empresário seja mais assertivo nas decisões”, conta.
O design é outro fator que influencia no sucesso ou no fracasso de uma empresa no mercado internacional. O tema foi abordado pela diretora técnica do Centro Brasil Desing, Ana Brum. “O design deve ser visto como um diferencial competitivo para as empresas”, afirmou. Pesquisa da CNI revelou que 75% das empresas registram aumento de suas vendas com a implantação de design em seus produtos e 41% percebem ainda redução de custos. “O design pode auxiliar diretamente na redução dos custos da empresa sugerindo, por exemplo, a utilização de diferentes materiais. Estes também podem diminuir gastos com a logística”, disse.
Pensar em uma estratégia de marketing também faz parte do planejamento para conquistar novos mercados. O professor da FAE e especialista no assunto, Luiz Gaziri, destacou que investir em um bom produto é a melhor propaganda. “Foque no seu produto e na qualidade dele para propiciar uma grande experiência para o seu cliente. Com isso, ele mesmo fará a divulgação do produto pelo marketing boca a boca”, revela.
Durante o evento, os participantes também conheceram mais sobre a economia e comércio mundial brasileiro e paranaense durante palestra realizada pelo economista da Fiep, Roberto Zurcher. Eles conheceram ainda o trabalho realizado pela Apex- Brasil e detalhes do projeto Brasil Trade.
Para receberem orientações sobre o mercado internacional e prospectarem possíveis negócios no exterior, empresas de diversas regiões e setores produtivos do Paraná participaram da oficina de negócios. O gerente de exportação da Steviafarma, Carlos Camargo Junior, foi um dos mais de 100 empresários presentes no evento. A empresa já exporta desde 1995 para outros países, mas está em busca de novos mercados. “Aqui temos uma grande troca de experiência com as tradings. O mercado mundial é muito grande e precisamos de parceiros para atuarmos em alguns locais que ainda não chegamos”, disse.
“Na oficina, as empresas têm apenas 30 minutos para conversar com as tradings. Embora pequeno, este tempo pode significar muitas oportunidades de negócio. O objetivo é que daqui seja possível estabelecer parcerias para que as empresas possam ver seus produtos nas prateleiras estrangeiras”, destacou Mônica Ramos, da Apex-Brasil.
A Pratic Leve, da cidade de Ibiporã, também participou da oficina. A empresa do setor alimentício ainda não exporta e busca avançar as fronteiras nacionais. “Conversamos com as tradings e uma delas inclusive já mostrou novas oportunidades de negócios na África”, conta o gerente comercial da empresa, Rodrigo Fongari. Segundo ele, um dos principais motivos que despertou o interesse no exterior foi a queda das vendas no mercado nacional.








