Indústria de transformação passa por momento crítico e cobra medidas urgentes dos novos governantes

A indústria de transformação é o setor que mais vem sofrendo por conta do tripé do mal, formado pela valorização do real, juros elevados e excessiva carga tributária. Eu conversei com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, Carlos Pastoriza, que veio nesta segunda-feira (29) a Curitiba para discutir com empresários o cenário econômico do país. Pastoriza me disse que a situação é crítica. O faturamento das indústrias fabricantes de máquinas está em queda há três anos consecutivos e, este ano, deve fechar com redução entre 10% e 15% em relação a 2013.
O setor também lamenta a perda de posições no mercado mundial. Na década de 80, por exemplo, o Brasil era o quinto maior produtor do mundo de bens de capital mecânico. Hoje ocupa o 14º lugar. Segundo me disse o presidente da Abimaq, produzir uma máquina no Brasil custa 30% a mais do que na Alemanha. Diante da perda de competitividade, apenas uma de cada três máquinas compradas pela indústria brasileira é fabricada aqui.
Outro sério problema apontado por Pastoriza é o envelhecimento das máquinas utilizadas pela nossa indústria. A idade média do maquinário brasileiro é de 17 anos, ou 10 anos a mais do que o verificado na Alemanha e Estados Unidos.
Eu perguntei ao presidente da Abimaq o que o setor espera dos novos governantes, e ele me disse que o Brasil está numa encruzilhada, e que são necessárias correções urgentes para diminuir o Custo Brasil, de forma que o País volte a ser uma potência. Para tal, é fundamental uma reforma política, com a diminuição de partidos e corte de ministérios. Hoje temos 32 partidos e 39 ministérios. O corte de gastos vai provocar um choque de gestão. Diminuindo os gastos, o governo vai recorrer menos ao mercado financeiro e com isso o juro vai baixar. Com juros menores, menos dinheiro do exterior entrará no Brasil e, consequentemente, a correção do câmbio se dará normalmente.
Outras medidas também esperadas pelo setor industrial são as reformas tributária, previdenciária e trabalhista. O presidente da Abimaq reconhece que estas reformas são difíceis de serem implementadas, mas são necessárias. “Fazer ajustes significa mexer com interesses que já estão consolidados há muito tempo”, enfatiza.
Carlos Pastoriza também chama a atenção sobre a desindustrialização silenciosa que afeta a todas as cadeias produtivas. “A desindustrialização de hoje não é visível porque não ocorre de forma tradicional, com a quebra de empresas. As indústrias estão se transformando em montadoras, e isso não é percebido pelos consumidores. Entretanto, o Brasil só tem uma forma de crescer, que é através da industrialização”, conclu








