Desempenho das empresas familiares brasileiras no último ano supera a média global
A maioria das empresas familiares brasileiras, 79%, registrou crescimento nos últimos 12 meses e 76% prevê manter o crescimento nos próximos cinco anos, segundo a pesquisa “Empresa Familiar: O desafio da Governança”, da PwC. Globalmente, 65% dos negócios familiares tiveram crescimento e 85% projetam aumento. Os maiores desafios para o crescimento apontados pelos líderes de negócios familiares são a necessidade de constante inovação (71%) e o contexto econômico (71%). “Na prática, as empresas brasileiras são tradicionalmente resistentes à inovação, mas isso está mudando com a chegada das novas gerações, mais identificadas com novos modelos, métodos e tecnologias”, afirma Leandro Camilo, sócio da PwC Brasil e especialista em Empresas Familiares. Na amostra global, além da necessidade de inovar (64%), o maior desafio é atrair profissionais com as competências necessárias (61%). Na outra ponta, com os menores percentuais de preocupação estão os aspectos relacionados à cadeia de suprimentos (18%) e os conflitos entre os membros da família (17%).
A maior parte das empresas, 91%, tem, pelo menos, um instrumento para solução de conflitos formalizado e em vigor, globalmente são 83%. Entre os diversos mecanismos, o mais comum é o acordo de acionistas, existente em 61% delas, seguido pela provisão para entrada e saída, 53% e disposições para casos de morte ou incapacidade, 52%.
Outro aspecto que merece destaque é o fato de apenas 11% dos entrevistados terem um plano de sucessão bem estruturado e documentado. Para que o negócio perdure por muitas gerações é importante que os membros da família participem do plano de desenvolvimento do negócio como um todo. “As futuras gerações de gestores e líderes das empresas familiares devem ser contempladas com um plano de carreira desde cedo, para que se sintam parte importante da empresa, não só da família. Assim, a chance do herdeiro se interessar pelo negócio e, posteriormente, querer assumir a gestão são muito maiores”, analisa Mary Nicoliello, diretora da PwC Brasil e especialista em Empresas Familiares. Ela acrescenta que conhecer o “chão da fábrica” é importante, mas não suficiente. “Futuros líderes devem ter uma formação que garanta contato e conhecimento de todos os processos, mas não apenas isso. É preciso uma formação global, que amplie a visão da atividade e das práticas ao redor do mundo”, conclui.
A inserção no mercado internacional ainda é pequena. Pouco mais de um terço delas, 38%, faz negócios no exterior e apenas 6% da receita total das empresas familiares brasileiras é obtida com a exportação de produtos ou serviços, e a previsão é atingir 10% nos próximos cinco anos. Na média global, 25% do faturamento vem de negócios internacionais, que em cinco anos devem responder por 32%. “Esses números mostram que as empresas familiares brasileiras, muitas vezes, têm menor apetite ao risco, além de contar com poucos incentivos a operar no mercado internacional”, diz Camilo. Segundo o sócio da PwC, parcerias estratégicas com empresas internacionais podem beneficiar os negócios, o que facilita o acesso das empresas familiares a mercados externos.
O estudo mostra que empresas familiares no Brasil devem acelerar suas práticas em inovação, melhorar a capacidade de adaptação às nuances do mercado e investir na profissionalização. Mais de 120 empresas participaram da pesquisa no Brasil, a maioria (46%) com faturamento acima de US$ 100 milhões, estão entre a 2ª (49%) e 3ª (24%) geração, 50% tem entre 20 e 49 anos e 38% tem mais de 50 anos. Globalmente, cerca de 2,4 mil empresas responderam a pesquisa em mais de 40 países.


