Setor calçadista amarga perdas milionárias este ano

calçadosA contagem regressiva para o final do ano não é somente pelo descanso. Os calçadistas amargaram um ano de 2014 para esquecer. Conforme os mais recentes dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o mês de novembro representou mais uma queda nos embarques. No mês passado, a exportação de 9,73 milhões de pares gerou US$ 73,9 milhões, 14,2% menos do que no mesmo mês de 2013. No acumulado, o embarque de 114,7 milhões de pares gerou US$ 948 milhões, queda de 3,9% ante o ano passado.

Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, os números, infelizmente, não surpreendem. Com uma competitividade afetada pelos problemas de custo de produção, a indústria calçadista ainda foi prejudicada pelo ano de eleições, o que causou uma oscilação cambial histórica, e a Copa do Mundo, que acabou funcionando como uma “concorrente” do setor, já que o consumo ficou localizado nos setores da linha branca e de serviços.

Para o executivo, o ano só não terminou pior por conta de mecanismos como o Reintegra e a desoneração da folha de pagamento do INSS para os exportadores, ferramentas que devem ser intensificadas para que a indústria calçadista retome o desenvolvimento. “O bom de 2014 é que ele está acabando”, ironiza o executivo, para quem o ano deve fechar com resultados negativos mesmo com a base de comparação fraca de 2013.

Assim como as exportações, o saldo da balança comercial brasileira deve despencar – ainda mais – em 2014. Até novembro, ele encolheu 5% (chegando a US$ 420,85 milhões), isso porque as importações contribuíram com uma diminuição de 3,1% no acumulado. Entre janeiro e novembro entraram no Brasil 34,53 milhões de pares por US$ 527,14 milhões, quase 90% deles proveniente do Vietnã, Indonésia e China.

Os principais destinos dos produtos exportados entre janeiro e novembro foram os Estados Unidos, que comprou o equivalente a US$ 174 milhões (incremento de 1,6% ante mesmo período de 2013), Argentina, com compras de US$ 78,53 milhões (queda de 32,2%), e França, com consumo de US$ 58,73 milhões (queda de 1%).

O destaque positivo de novembro foi a China, que comprou o equivalente a US$ 1,4 milhão, 720% mais do que no mesmo mês de 2013 e 40% do total comprado em calçados brasileiros em todo o ano (US$ 3,5 milhões). “O incremento da China pode ser explicado pela intensificação das ações de promoção comercial e de imagem naquele país. Temos notado enorme potencial no Gigante Asiático”, avalia Klein, ressaltando a importância das iniciativas do Brazilian Footwear para a promoção do produto verde-amarelo na China.

O Rio Grande do Sul segue como o principal exportador de calçados do Brasil. Entre janeiro e novembro os gaúchos embarcaram 15,86 milhões de pares por US$ 342,36 milhões, 0,7% menos no comparativo com igual período de 2013. O Ceará segue no segundo posto, tendo embarcado 47,87 milhões de pares por US$ 266,5 milhões, uma queda de 6,5% frente a igual intervalo do ano passado. São Paulo, o único estado entre os principais exportadores com resultados positivos, embarcou 11,15 milhões por US$ 135 milhões, aumento de 2,2% ante 2013.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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