Valor da cesta básica aumenta em 17 capitais

Em Curitiba a alta da cesta básica em 2014 foi de 4,82%.
Em Curitiba a alta da cesta básica em 2014 foi de 4,82%.

Em 2014, o valor acumulado da cesta básica aumentou em 17 das 18 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realizou mensalmente, durante todo o ano, a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos. A única exceção foi registrada em Natal (-1,70%). Três localidades apresentaram variações acima de 10%: Brasília (13,79%), Aracaju (13,34%) e Florianópolis (10,58%). As menores oscilações positivas ocorreram em Salvador (1,01%), Belo Horizonte (1,22%) e Campo Grande (2,36%).

Em dezembro, houve aumento da cesta em 16 cidades e diminuição em duas: Curitiba (-1,07%) e Fortaleza (-0,07%). As maiores elevações foram registradas em Salvador (4,73%) e Recife (4,35%). Apesar de registrar, em dezembro, alta de 1,79%, São Paulo foi a capital onde se apurou o maior valor para a cesta básica (R$ 354,19). Na sequência, entre as capitais com os maiores valores para a cesta aparecem Florianópolis (R$ 353,10) e Porto Alegre (R$ 348,56). Os menores custos médios foram observados em Aracaju (R$ 245,70) e Salvador (R$ 267,82).

Com base no total apurado para a cesta mais cara, a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em dezembro deste ano, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 2.975,55 ou 4,11 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724,00. Em novembro, o mínimo necessário era menor, de R$ 2.923,22, ou 4,04 vezes o piso vigente. O valor também era mais baixo em dezembro de 2013, e correspondia a R$ 2.765,44, ou 4,08 vezes o mínimo da época (R$ 678,00).

A estiagem e a crescente exportação encareceram os preços da carne bovina.
A estiagem e a crescente exportação encareceram os preços da carne bovina.

Em 2014, os preços da carne bovina e do pão francês subiram em todas as cidades, enquanto o arroz e café em pó tiveram aumento em 17 localidades. Por outro lado, feijão foi o único produto que teve redução em todas as capitais e o óleo de soja, açúcar, leite e farinha de mandioca (pesquisado no Norte e Nordeste) mostraram decréscimos na maioria das cidades.

A carne bovina, produto com grande peso na composição da cesta básica, teve aumento em todas as localidades em 2014, com variações entre 9,52% em Salvador e 27,71% em Belém. No início do ano, a estiagem e a crescente exportação de carne encareceu o produto no mercado interno e no segundo semestre, devido à entressafra, o preço também se elevou na maior parte dos meses. Além disso, o custo de reposição tem sido alto, o que dificulta a compra do bezerro por parte do produtor. Em dezembro último, todas as cidades tiveram alta em comparação com o mês de novembro, com taxas oscilando entre 1,60% em Curitiba e 8,02% em Aracaju.

O preço do pão francês subiu, em 2014, em todas as regiões pesquisadas, o que é explicado pela alta do seu principal insumo, o trigo. O grão, antes importado da Argentina, passou a ser comprado no Canadá e Estados Unidos, onde é mais caro, o que, somado à desvalorização cambial, encareceu as importações. Também houve problemas na safra brasileira na região sul. Além disso, outros aumentos de custos como energia elétrica, acabaram tendo impacto sobre o preço do pão. As variações oscilaram entre 2,41%, em Belém, e 23,33%, em Aracaju. Na comparação dos preços entre dezembro e novembro de 2014, o comportamento foi diferenciado: houve estabilidade em João Pessoa, Manaus e Aracaju; aumento no Rio de Janeiro (1,91%), Brasília (1,61%), Recife (1,55%), Natal (1,29%), Belo Horizonte (1,07%), Florianópolis (0,58%), Vitória (0,49%), Belém (0,25%) e São Paulo (0,10%). Nas demais cidades houve diminuição, com destaque para a taxa de Campo Grande (-1,40%).

O preço do arroz apresentou aumento em 17 cidades em 2014, com destaque para Aracaju (25,73%), Salvador (18,42%) e Curitiba (14,75%). Belém foi a única capital onde houve retração (-4,99%). Forte demanda do grão, aumento da exportação e a negociação dos produtores para manter os preços elevados influenciaram no valor do arroz no varejo. Entre novembro e dezembro, início de período de entressafra, houve alta em 12 capitais, com destaque para Salvador (3,71%) e Manaus (3,40%). Houve estabilidade em João Pessoa e retração em Florianópolis (-3,83%), Aracaju (-0,92%), Natal (-0,77%) e Belém (-0,40%).

O café em pó ficou mais caro em quase todas as cidades pesquisadas pelo Dieese.
O café em pó ficou mais caro em quase todas as cidades pesquisadas pelo Dieese.

O café em pó ficou mais caro em quase todas as localidades pesquisadas em 2014, exceto em Vitória (-1,65%). As altas mais expressivas aconteceram em Aracaju (21,80%), João Pessoa (16,71%), Goiânia (13,49%), Recife (11,46%) e Fortaleza (10,78%). As altas do café ocorreram com maior intensidade nos últimos quatro meses do ano, em virtude da expectativa da menor safra brasileira. A estiagem do início do ano também comprometeu o desenvolvimento dos pés de café. Em dezembro, houve aumento em 11 cidades em comparação com novembro e redução em sete. Os maiores aumentos foram apurados em Salvador (3,77%) e Manaus (3,53%) e as quedas mais importantes em Porto Alegre (-2,36%) e Brasília (-2,06%).

O valor do feijão diminuiu em todas as cidades em 2014. O tipo preto (pesquisado nas cidades do Sul, no Rio de Janeiro, em Vitória e Brasília) apresentou reduções entre -18,55% (Vitória) e -3,78% (Brasília). O feijão carioquinha (pesquisado no Norte, Nordeste, em Campo Grande, Goiânia, São Paulo e Belo Horizonte) também apresentou recuos expressivos em todas as cidades, oscilando entre -33,78% em Manaus e -4,79% em São Paulo. O bom desempenho das safras elevou a oferta do grão e diminuiu o preço dos dois tipos de feijão. Entre novembro e dezembro, o comportamento foi diferenciado. No tipo preto, houve diminuição em Vitória (-2,95%), estabilidade em Florianópolis e aumento nas demais cidades, com destaque para a alta no Rio de Janeiro (4,88%). No tipo carioquinha, houve diminuição do valor em Manaus (-7,59%), Goiânia (-1,46%) e Salvador (-0,91%), nas demais, foram observados aumentos, sendo que em Recife a alta chegou a 20,89%.

A farinha de mandioca teve seu valor reduzido em quase todas as capitais do Norte e Nordeste, onde é pesquisada, em 2014. As retrações oscilaram entre -40,21% em Manaus e -21,85% em Salvador. Apenas Aracaju mostrou taxa positiva de 0,52%. O aumento da área da cultura devido aos bons preços nos anos anteriores fez crescer a oferta da raiz, o que pressionou para baixo a cotação. Entre novembro e dezembro, houve aumento do preço em Natal (7,87%), Fortaleza (7,48%) e Recife (1,47%); estabilidade em Belém e queda em Aracaju (-3,23%), João Pessoa (-2,65%), Manaus (-2,44%) e Salvador (-0,43%).

O óleo de soja apresentou diminuição em 17 cidades em 2014, sendo a única exceção em Florianópolis (1,59%). As reduções variaram entre -11,90% em Belo Horizonte e -0,34% em Aracaju. A expectativa de safra recorde no Brasil empurrou o preço do grão para baixo. Além disso, indicadores do CEPEA/ESALQ2 mostraram que, em 2014, o preço do óleo de soja bruto degomado3 se manteve em patamar inferior ao de 2013 em quase todos os meses. Em dezembro, houve redução em dez cidades, com variações de -5,13% em Aracaju a – 0,33% em João Pessoa. Os maiores acréscimos foram registrados em Florianópolis (2,68%) e Salvador (2,44%).

Mesmo com a metade da produção da cana destinada ao etanol, o preço do açúcar vem diminuindo no varejo.
Mesmo com a metade da produção da cana destinada ao etanol, o preço do açúcar vem diminuindo no varejo.

O açúcar apresentou diminuição em 15 cidades no acumulado de 2014. As maiores quedas foram registradas nas capitais do Nordeste: Salvador (-16,67%), Aracaju (-15,03%) e Natal (-12,44%). As únicas altas aconteceram no Rio de Janeiro (2,33%), Vitória (1,99%) e Belo Horizonte (1,54%). Há uma grande oferta mundial de açúcar, que vem jogando para baixo a cotação do bem. No Brasil, mesmo com a metade da produção da cana destinada ao etanol, o preço do açúcar vem diminuindo no varejo. Em dezembro, na comparação com novembro, sete cidades tiveram redução, houve estabilidade em Campo Grande e aumento em dez capitais, que variaram entre 0,6% (Goiânia) e 8,91% (Rio de Janeiro).

O preço do leite in natura diminuiu em 14 localidades em 2014, com variações acumuladas entre -12,46% (Natal) e -0,34% (São Paulo). As quatro cidades com elevação de valor foram Manaus (3,77%), Vitória (3,76%), Aracaju (3,50%) e Rio de Janeiro (2,53%). Após o período de entressafra, no primeiro semestre, o preço do leite vem recuando pelo excesso de oferta. Em dezembro de 2014, houve queda em 15 cidades, em comparação com novembro, com variações de -7,11% em Porto Alegre e -0,35% em Fortaleza. Os acréscimos aconteceram em Brasília (2,08%), Recife (1,24%) e Manaus (0,33%).

Em 2014, o preço da batata acumulou alta em sete das 10 localidades do Centro-Sul onde é pesquisada. As taxas variaram entre 2,13% em São Paulo e 36,80% em Brasília. As quedas aconteceram em Campo Grande (-8,39%), Belo Horizonte (-3,04%) e Porto Alegre (-0,75%). A oferta restrita do tubérculo no segundo semestre vem elevando expressivamente o preço da batata. A estiagem prolongada nos últimos meses segue atrasando o cultivo da safra das águas no final do ano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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