Inflação em alta já se reflete no faturamento do comércio

Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 7,7% e os reflexos desta elevação já podem ser observados no comércio. No ano passado, por exemplo, as vendas do comércio ao nível de Brasil caíram 1,7%, enquanto que no Paraná a queda chegou a 3%, segundo pesquisa do IBGE. Em janeiro último, o comércio do Paraná vendeu 4,4% a menos e na média nacional, a queda chegou a quase 5%. Um detalhe preocupante é que até 2014, o comércio conseguia respirar em função de uma massa salarial elevada e desemprego baixo. Esses dois fatores já começam a ser revistos este ano.
Outra preocupação dos empresários do comércio vem da valorização do dólar em relação ao real. É que a alta da moeda norte-americana acaba se inserindo no contexto da elevação dos preços em geral. Hoje, o dólar comercial abriu a R$ 3,24, mas na semana passada atingiu a cotação máxima de R$ 3,28.
Já os reajustes dos combustíveis, energia elétrica, serviços e alimentação atingem os consumidores em geral, que passam a reduzir suas compras, com reflexos diretos no faturamento do comércio, sendo que os mais afetados são os micro e pequenos empresários.
No caso dos supermercados, o comportamento da inflação também impacta no setor, pois qualquer alta influencia o bolso dos consumidores das classes B, C e D, que constituem a maior fatia da clientela. Ou seja, com os preços em alta, as pessoas passam a consumir alimentos com mais racionalidade e eliminam os supérfluos, que são os produtos que proporcionam uma maior margem de lucro. Com isso, o setor supermercadista acredita que as vendas este ano não repetirão os resultados de 2013 e 2014.
Outro fator que contribuirá para a expansão da inflação é o setor de serviços livres, como alimentação fora de casa, salão de beleza, estacionamento, médicos, lavagem de carro, cujos preços não param de subir e acumulam alta acima da inflação média de quase 9% em 12 meses.







