Alto índice de endividamento traz sérias preocupações para consumidores e lojistas

Se muitos consumidores já não estão conseguindo dormir de tanto pensar em suas dívidas, nas empresas, a preocupação aumenta cada vez que são divulgados os números de inadimplência. Indicadores econômicos mostram que o comprometimento da renda do brasileiro está em patamar crescente, avançando junto com a alta das taxas de juros e encarecimento do crédito. No mês passado, por exemplo, quase 55 milhões de brasileiros estavam endividados. Em um ano, este número aumentou em 2,2 milhões. O mais preocupante, é que 71% dos endividados, ou 39 milhões de trabalhadores têm dívidas vencidas há mais de um ano, alerta o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). E o pior ainda é que estas dívidas são de valores mais altos, pois os débitos menores são quitados em até 90 dias.
Para o comércio, a inadimplência alta é muito ruim, pois à medida que os consumidores ficam negativados, deixam de comprar, com reflexos diretos no faturamento das lojas. Grande parte dos especialistas aponta que 2015 como o ano que pode potencializar a crise nas famílias. Só para se ter uma ideia, em 2010, o nível de endividamento das famílias era de 35%. Hoje, segundo pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 60% das famílias têm a renda comprometida por dívidas, sendo que 21% revelaram que o comprometimento chega a superar 50% do orçamento e 6,2% disseram que não terão condição de quitar a fatura. Outro dado bastante curioso de acordo com dados do Banco Central, é que os endividados pertencem a todas as classes sociais.
Para os endividados, um possível alívio poderia vir com a atualização do Código de Defesa do Consumidor (CDC), cuja proposta está tramitando no Senado. Se aprovada, a medida pode incluir na lei uma espécie de recuperação judicial do consumidor, permitindo a negociação de dívidas, respeitando o percentual necessário à sobrevivência da família.
Já para os lojistas, no momento da venda, consultar as empresas de proteção ao crédito e ter um histórico de cada cliente.


