Mercado de startups cresce, mas os negócios precisam ser melhor estruturados

startupO mercado de startups vem crescendo a cada ano e hoje já soma mais de 10 mil empresas em todo o país. Só no Paraná, até o final do ano passado, foram mapeadas 170 startups digitais. Eu conversei nesta quinta-feira (30) com o Rafael Tortato, que é consultor do Sebrae, e ele me disse que um novo mapeamento está sendo fechado pelo Sebrae/PR, e este número praticamente triplicou este ano no Estado.

Mas, apesar de toda essa ascensão, nosso investidor continua com pouca experiência dentro de uma cultura de maior risco, especialmente se comparado aos países desenvolvidos. Segundo o advogado do Departamento Societário da Andersen Ballão Advocacia, Rafael Cruz, os principais problemas que os empresários vivenciam durante a abertura de um negócio são o desconhecimento do mercado, a falta de foco no cliente e a inexperiência em lidar com questões relativamente novas do Direito brasileiro, em especial na área digital. E, isso, pode ser comprovado no estudo feito pela Fundação Cabral, no final do ano passado, que mostra que 25% das startups morrem no primeiro ano de vida e metade delas em quatro anos.

Na avaliação do advogado, que é também assessor de empresas de tecnologia e iniciativas empreendedoras, existe ainda muito romantismo em torno das startups. Grande parte das ideias que surgem são vinculadas à tecnologia e envolvem baixo investimento inicial, mas o conceito não se limita a isso. Rafael Cruz explica que uma startup é uma empresa como outra qualquer. Dessa forma,  não há uma lei ou elementos específicos, e sim leis e conceitos que se aplicam melhor ou pior para as empresas iniciantes. Por isso, dependendo do mercado que se busca atingir e da atividade, o empreendedor precisa se atentar ao Código de Defesa do Consumidor. Também deve ter em mente as restrições e particularidades do comércio eletrônico e serviços de web, com especial atenção ao Marco Civil da Internet e leis especiais. Além disso, é fundamental uma estruturação tributária, ainda que simples no começo, para utilizar ao máximo os benefícios concedidos pelo Governo para  empresas iniciantes.

Outra dica do advogado para quem pretende iniciar um novo negócio é a busca por um mentor – uma espécie de conselheiro com experiência profissional e que possa  contribuir com o empreendedor em áreas específicas do conhecimento. “É interessante ter alguém para trocar experiências, fazer brainstorming, ou mesmo apresentar perguntas desafiadoras e específicas sobre a atividade pretendida.”

A união entre boas ideias e investidores é o que tem fortalecido o mercado de startups, mas ambas as partes precisam se proteger para antever os conflitos. “Há sempre uma ‘barra’ de equilíbrio – quanto mais estruturado o negócio, menor o risco e mais garantido o retorno ao investidor. E quanto mais dependente de recursos, mais fraco fica o empreendedor na negociação e, portanto, o investidor consegue abocanhar uma parte maior do negócio”, expõe Cruz.

Um conceito essencial para o relacionamento entre o emprendedor e os demais envolvidos no desenvolvimento de uma startup é o Vesting. Segundo o advogado, por meio do Vesting define-se qual será a participação de cada um na empresa, tornando-se sócios, e quais direitos eles terão progressivamente em decorrência dessa participação. “É importante definir isso em contrato o quanto antes, para que não surjam conflitos entre os sócios no decorrer do processo de desenvolvimento da startup.”

Este e outros aspectos podem (e devem) ser tratados pelos sócios mediante um acordo de sócios. Neste, além do exercício do direito de voto e quórum de votação, seja diretamente ou por meio de estruturas específicas da área como o Vesting, é possível estabelecer dois mecanismos principais aplicáveis à venda das quotas – o Tag Along, ou seja, o direito de todos os acionistas venderem suas quotas ao comprador do bloco de controle e o Drag Along, o direito do sócio controlador obrigar os demais sócios a vender as suas participações ao comprador, protegendo o controlador ou o minoritário.

Ainda, através do acordo entre empreendedor e investidor, pode-se definir critérios para aumento de capital social, normas anti-diluição; regular a transferência de quotas, visando restringir ou facilitar a alteração no quadro de sócios; prever a existência de conselhos e órgãos de controle; e ainda determinar a política para distribuição de dividendos e os métodos de avaliação de pagamento.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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