Profissionais de RI destacam a relação entre boas práticas de governança corporativa e geração de valor para o acionista
A pesquisa “Governança Corporativa e Relações com Investidores – Criação de valor em uma nova era de engajamento” aponta o cada vez mais fundamental papel do profissional da área como um guardião das práticas de governança corporativa nas empresas, destacando o nível de engajamento que eles possuem com a estrutura de governança das organizações. O estudo também aborda questões relacionadas ao crescente engajamento e ativismo dos investidores, e o que tem sido feito pelos profissionais da área e organizações para atender à crescente demanda de acionistas por informações de governança e ações do conselho de administração.
Os principais resultados das respostas da amostra composta por 54 profissionais da área de Relações com Investidores (RIs) de empresas que atuam no Brasil apontam que todos os entrevistados concordam que as boas práticas de governança corporativa têm um bom impacto para atrair e reter investidores (64% destacam como “concordo totalmente”); 76% afirmam ser alto o nível de engajamento que possuem com a estrutura de governança corporativa da organização. Praticamente toda a amostra (98% destacando os níveis de “concordo totalmente”, “concordo parcialmente” e “concordo”) aponta que tópicos de governança corporativa têm aparecido com frequência nas reuniões e discussões com investidores.
Entre os temas de governança corporativa que os investidores e acionistas têm manifestado interesse em discutir com as empresas, os participantes destacaram os seguintes pontos (em respostas múltiplas), separados em quatro grupos:
o Dentro do tema de “Finanças”, a estrutura financeira (41%) é o que mais foi apontado;
o Nas questões de “Estratégia”, fusões e aquisições e plano estratégico aparecem ambos com 39%;
o Foco na composição e organização do conselho de administração, com 24%, são os principais assinalados em “Assuntos do conselho”;
o Ênfase na apresentação e transparência dos resultados (19%) é o principal dentro dos temas de “Riscos e compliance”.
Apesar de a governança estar em progresso nas organizações, quase 70% dos profissionais de RI entrevistados ainda enxergam uma lacuna entre o valor percebido da empresa pela administração e por analistas e investidores;
Diante do cenário atual, as prioridades do RI têm mudado. E, não surpreendentemente, para um foco intenso na captura e na melhoria das percepções dos investidores, especialmente na dos investidores estrangeiros – destaque para esse ponto, que no ano passado era de 7% e hoje representa 12%. Para 69%, em concordância com uma tendência crescente no mundo, há um desejo de engajamento direto entre os acionistas e investidores e o conselho de administração em assuntos de governança corporativa.
Os órgãos reguladores também estão focados nas questões de engajamento. Um exemplo é a instrução CVM Nº 561, emitida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que entra em vigor de forma escalonada a partir de 2016 e que, entre outros temas, trata da participação e votação a distância em assembleias gerais. Os respondentes ainda estão divididos com relação ao impacto da medida – 44% vislumbram um impacto positivo, enquanto 37% não preveem nenhum impacto.
Mesmo que 47% dos participantes tenham respondido que já presenciaram situações em que ficou explícita a ação de ativismo por parte de investidores ou grupos de investidores, 43% não têm e não pretendem fazer uma avaliação periódica de vulnerabilidade em relação a campanhas de ativistas por parte dos acionistas.
O sócio da área de Auditoria da Deloitte e coordenador técnico do estudo, Bruce Mescher, destaca: “A evolução da governança no Brasil está ampliando o acesso e as formas de influência dos acionistas sobre os conselhos, o que traz uma nova dinâmica para a atuação do profissional de RI.”
Já o presidente executivo do IBRI, Rodrigo Luz, aponta para o tema de engajamento, uma questão cada vez mais crescente no dia a dia dos RIs, conforme aponta a nova edição do estudo: “Uma boa gestão do engajamento envolve assegurar a consistência da mensagem e a conformidade dos processos, aumentando, assim, a confiança do mercado sobre a organização.”








