Dólar a R$ 4 atinge faturamento das agências de turismo

Com o dólar batendo a casa de R$ 4, as agências de turismo já sentem os reflexos em seus faturamentos. Nada menos do que 700 mil brasileiros devem desistir de viajar para o exterior ou mudar a rota para o turismo doméstico até o final do ano. A desvalorização do real em relação ao dólar, que já chega a 40% este ano, só não tem assustado mais o turista devido à onda de promoções das companhias aéreas que tem deixado as passagens até 50% mais baratas, compensando o câmbio.
No ano passado, nessa mesma época, as passagens para destinos como Miami, Nova Iorque, Los Angeles, custavam a partir de US$ 650. Agora os bilhetes podem ser encontrados a partir de US$ 265. Já para a alta temporada, como Natal e Ano Novo, se comparado ao ano passado, os preços caíram de US$ 1.700 para algo entre US$ 500 e US$ 650.
Mas a verdade é que o efeito psicológico do dólar a R$ 4 é forte. Empresários de agências de turismo acreditam que o resultado deste ano vai depender da evolução da economia e da política do país, já que a retração do mercado de trabalho também se reflete nas viagens. Com o medo de perder o emprego, muita gente que pretendia viajar no final de ano ou nos primeiros meses de 2016 está revendo os seus planos.
A Agência Brasileira de Viagens (Abav) vem acompanhando o desempenho das vendas de pacotes em todo o país e calcula que a retração no número de embarques ao exterior deve ficar próxima a 10% este ano. A desaceleração é atenuada pela demanda de roteiros nacionais. No primeiro semestre, as vendas de pacotes domésticos permaneceram estáveis. Já para o segundo semestre, a Abav projeta crescimento entre 5% e 7%, como consequência das promoções.
A CVC , que é a maior operadora do Brasil, desde o início do ano, vem apostando em promoções para tentar neutralizar a alta do dólar. Neste sentido tem oferecido pacotes com o preço da moeda americana a preço reduzido e parcelamentos. Segundo o presidente da operadora, Luiz Eduardo Falco, as viagens para destinos como Orlando, Nova Iorque e Las Vegas estão 30% em média mais baratas do que em 2014 e no primeiro semestre as vendas de pacotes para o país conseguiram crescer 12%.








