Exigência de Certificação Digital já está em vigor e atinge quase 500 mil empresas que possuem mais de cinco empregados

A partir deste mês, as empresas do Simples que têm mais de cinco funcionários só poderão enviar as informações fiscais e trabalhistas ao governo se tiverem Certificação Digital. A mudança afeta quase 500 mil empresas de todo o País. Eu conversei com o diretor político e parlamentar da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, e ele me disse que mais da metade das empresas brasileiras já possui certificação digital, mas as que não se adequarem à nova regra ficarão impedidas de recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários e pagarão multa.
A obtenção do certificado digital é simples. Basta que o empresário faça a solicitação e compareça presencialmente a um posto de atendimento credenciado para validação. Também é preciso levar toda a documentação exigida para a conferência dos dados e emissão do documento. O diretor da Fenacon chama a atenção para o fato de que a certificação digital é algo muito sério e por isso o empresário deve ter todo o cuidado em não deixar o seu certificado com o contador ou qualquer outro profissional. Ou seja, é como dar o cartão do banco com senha para que qualquer pessoa possa movimentá-lo. Valdir Pietrobon aconselha que os empresários façam uma procuração eletrônica para que o contador tenha acesso apenas aos itens necessários.
A cada ano, a demanda por Certificação Digital pelas empresas vem crescendo. Nos primeiros cinco meses deste ano, 1 milhão e 300 mil certificados foram emitidos no País, ou 6,5% acima do verificado no mesmo período de 2015. Segundo Valdir Pietrobon, a procura pela Certificação Digital mostra que as companhias estão atentas às mudanças da legislação e também buscam reforçar a segurança e a confiabilidade da identificação empresarial no meio virtual.
Eu perguntei ao diretor da Fenacon sobre como as empresas estão enfrentando esse momento de dificuldade que a economia brasileira está atravessando, e ele me disse que este é o pior período que ele já presenciou em sua carreira de contador. Como exemplo, cita o fechamento de 200 mil empresas no primeiro semestre do ano, ou o equivalente ao fechamento de uma empresa a cada dois minutos. Na sua avaliação, as micro e pequenas empresas não têm mais fôlego para sobreviver. Por isso, é necessário que entre em vigor já no próximo ano e não em 2018, os novos limites de enquadramento das pequenas e microempresas no programa Supersimples. Segundo Pietrobon, mesmo antes da tabela entrar em vigor, ela já está desfasada em 35% e quanto mais tempo passar, mais ficará desatualizada.








