Contabilidade auxilia na prevenção de fraudes corporativas

contabilidadeEstudo feito por uma empresa de consultoria de risco e auditoria apontou relação entre fraudes e o Produto Interno Bruto (PIB). Quanto menor o PIB, maior os riscos de atos irregulares. No momento em que a crise econômica reduz o crescimento do País, as empresas devem reforçar suas equipes de controle interno. Segundo o doutor em controladoria e contabilidade, consultor da Fipecafi e professor da FEA/USP Guillermo Braunbeck, a contabilidade tem uma visão privilegiada para observar anomalias que merecem ser investigadas.

Não há estatística sobre fraudes corporativas no Brasil, mas dados da Transparência Internacional mostram o que o País tem sérios problemas nessa área. Numa escala que vai de zero, para um indicar uma nação muito corrupta, a 100, para países com índices desprezíveis de corrupção, o Brasil ocupa a posição 38. De acordo com Braunbeck, os dados não se referem apenas ao setor público. “Não é apenas uma questão crítica para a gestão pública, pois o Estado não existe isoladamente, fora da sociedade. Esse nível de corrupção é sinal de um problema endêmico, e evidentemente as corporações não estão apartadas dessa constatação”, afirma.
O estudo mencionado mostra que a fraude mais comum é a oferta ou o recebimento de suborno, com 60%. A segunda, com 32%, é a apropriação indébita, e apenas 8% são demonstrações fraudulentas, em que os dados de uma companhia são manipulados. Para enfrentar o problema, Braunbeck sugere manter controles internos que mitiguem os riscos operacionais e de fraude, e construir mecanismos para detectar possíveis irregularidades. Segundo ele, os profissionais da contabilidade saem dos bancos escolares com habilidades para essa função de controle.

“Não é função primária do profissional da contabilidade detectar fraudes, mas, como gestor do processo de coleta e conversão de dados da empresa em informações, ele dispõe de um ponto de visão privilegiado para observar as transações e os eventos da empresa e, consequentemente, identificar riscos de processo que podem ser melhorados. Ele também tem condições de observar anomalias que podem ser mais profundamente investigadas. Na formação de auditoria independente, que é exercida por profissional da contabilidade, há uma visão da gestão de riscos, auditoria e controle interno”, diz.

Braunbeck destaca que contratar uma auditoria, além de uma forma de enfrentar possíveis desvios, traz outros benefícios para empresas de todos os portes. “Demonstrações financeiras e relatórios de auditoria são informações úteis para quem usa. Se uma empresa recorre ao mercado de dívida ou de crédito para financiar seu crescimento e suas atividades, terá potencialmente um custo de captação menor se apresentar demonstrações financeiras auditadas. Mesmo o dono de uma empresa que não capte recursos pode ver utilidade em ter um auditor externo dando segurança aos relatórios que ele usa para gerir seu negócio”, defende.

Os aspectos comportamentais relacionados às fraudes corporativas e os que envolvem a segurança e a responsabilidade do auditor nesse contexto serão tema do 20.º Congresso Brasileiro de Contabilidade, que será realizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), de 11 a 14 de setembro, em Fortaleza. Braunbeck e o professor Ph.D. da Universidade de El Passo, Texas, especialista em Comportamento Humano, Daniel Nelson Jones, serão coordenados pela conselheira do CFC Jeanne Carmem Figueira, no painel Auditoria e Fraudes Corporativas, que ocorrerá no dia 14 de setembro, às 16 h, no auditório Pecém do Centro de Eventos do Ceará. A programação completa e inscrições podem ser conferidas em cbc.cfc.org.br

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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