Lei das Estatais terá impacto nas empresas privadas, mas o prazo para entrar em vigor é muito longo

Gino Oyamada: as novas regras são um grande avanço.
Gino Oyamada: as novas regras são um grande avanço.

A Lei de Responsabilidade das Estatais já foi sancionada pelo presidente em exercício Michel Temer e estabelece regras mais rígidas para compras, licitações e para a nomeação de diretores, membros do conselho de administração e de presidentes em empresas públicas e de sociedade mista. Entretanto, esta lei que prevê estancar os processos que favorecem a corrupção nas empresas estatais só entrará em vigor daqui dois anos, o que vem sendo considerado pelos especialistas um prazo muito longo.

Eu conversei nesta terça-feira (16) com o consultor e diretor da 3G Consultoria , Gino Oyamada, e ele me disse o ideal seria que a nova lei entrasse em vigor ainda este ano ou no máximo em 2017, já que os regimentos são fáceis de serem adotados. Outro ponto importante do qual o consultor chama a atenção é que a lei das estatais não só vai atingir as empresas federais, como também as ligadas aos governos estaduais e municipais, bem como os fundos das estatais.

Eu perguntei a Gino Oyamada sobre qual será o impacto da nova lei sobre as empresas privadas brasileiras e ele me explicou que o estado não tem como se isolar do mundo privado. E no momento em que começam a vigorar as boas regras de governança passa a existir uma relação mais saudável e bem mais estabelecida entre as companhias. Ainda, segundo o consultor, para a iniciativa privada, à medida em que se vai diminuindo a corrupção, haverá uma precificação mais justa. Ou seja, quando o estado é bem gerido, os riscos dos fornecedores passam a ser bem menores. O diretor da 3G Consultoria explica que o maior problema entre o estado e fornecedores é que os pré-projetos aprovados atualmente no Brasil, principalmente os relacionados a obras, são muito ruins e sem qualquer base técnica, o que leva a adoção de aditivos contratuais, e é aí que acabam ocorrendo os desvios.

Na avaliação de Gino Oyamada, as novas regras são um grande avanço, e se esta lei já tivesse sido adotada, os casos de desvio de dinheiro e corrupção nas estatais teriam sido evitados.

Entre os principais pontos, a Lei das Estatais estabelece requisitos básicos para nomeação de integrantes dos conselhos de administração, como quatro anos de experiência na área de atuação e formação acadêmica compatível com o cargo; proíbe que membros dos conselhos e diretores tenham sido integrantes de estruturas decisórias de partidos políticos e o critério para as nomeações deve ser técnico e os nomes, de preferência, serão do próprio quadro da empresa. Dos conselhos, farão parte de 7 a 11 membros, com mandatos de até dois anos, e um quarto deles (25%) devem ser independentes, não podendo, portanto, ter vínculo com a estatal.

A nova lei também determina que os nomeados para diretorias e membros dos conselhos tenham experiência mínima profissional de dez anos na área de atuação da empresa e veda a possibilidade de indicação de
ministros, dirigentes de órgãos reguladores ou partidos políticos, secretários de Estado e município, titulares de mandatos no Poder Legislativo e ocupantes de cargos superiores na administração pública que não sejam servidores concursados.

Também deverão ser implantados nas empresas uma área de compliance e riscos, vinculada ao diretor presidente, além de um comitê de auditoria estatutário, que irá se reportar diretamente ao conselho de administração em caso de suspeita de irregularidades cometidas pelo diretor- presidente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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