Em tempos de crise, mercado artesanal é tendência para expandir consumo de vinhos

A Wine Exclusive aposta numa tendência que já conquistou o mundo que é a produção artesanal.
A Wine Exclusive aposta numa tendência que já conquistou o mundo que é a produção artesanal.

Mesmo figurando entre as bebidas mais apreciadas no mundo, o vinho ainda encontra pouco espaço na mesa dos brasileiros: com uma média per capta de apenas 2 litros por ano, o consumo no país está muito aquém de seus vizinhos – chilenos e argentinos consomem anualmente de 8 a 10 vezes mais litros da bebida. Quando se observa o critério qualidade, esse cenário é ainda mais desfavorável – dados do site especializado Terroirs demonstram que essa média cai para apenas 0,7 litros quando se trata do consumo de vinhos finos.

Este fenômeno não está ligado unicamente a fatores econômicos: ainda que a alta carga tributária do país afete significativamente a expansão deste mercado, a falta de informação é o principal entrave para que a bebida faça parte do cotidiano do brasileiro. O consumidor demonstra pouca intimidade com este universo e seus conhecimentos limitados sobre a bebida dificultam no momento da compra, levando, muitas vezes, a escolhas pouco qualificadas. Em vista disso, empreendedores investem numa percepção aprimorada, não apenas para conquistar o paladar do consumidor, mas também para apresentar um novo conceito de consumo – o de maior custo-benefício.
Perfil de consumo

Publicado pelo Instituto Brasileiro do Vinho, o Estudo do Mercado Brasileiro de Vinhos Tranquilos e Vinhos Espumantes (Ibravin-2008) revelou indicadores importantes sob o perfil de consumo no Brasil: em geral, a bebida está associada a momentos de celebração – 8 em cada 10 consumidores associam o consumo da bebida a momentos especiais – enquanto a degustação durante as refeições tem participação menor – este motivador, em especial, poderia contribuir significativamente para um aumento do consumo geral: os maiores consumidores de vinho do mundo são países de grande tradição culinária que, em geral, associam o vinho à boa mesa.

Porém, a dificuldade de incluir a bebida no cardápio cotidiano não está relacionada unicamente as preferências gastronômicas do brasileiro – para 55% dos consumidores, o principal critério de distinção entre um vinho comum e um vinho fino é o preço – parâmetro que torna a escolha de uma boa bebida muito superficial, além de criar um falso conceito de elitização, sobretudo em tempos de orçamento apertado. A ideia de que um bom vinho é, obrigatoriamente, um vinho caro, é uma crença instituída entre a maioria dos consumidores – fato que o leva a julgar equivocadamente um rótulo: dados do próprio relatório demonstram que 11% dos consumidores que afirmam beber vinhos finos, referem-se a marcas de vinho comum, enquanto 7% cometem o deslize contrário.

De acordo com Stephanie Duchene, sommèliere responsável por uma criteriosa seleção de rótulos artesanais importados da França, a popularização do consumo de vinhos no Brasil requer, antes de mais nada, uma percepção qualificada da bebida “Ainda que sua apreciação seja considerada uma arte, incluir o vinho no dia a dia não requer conhecimentos de um expert. Contudo, no mercado brasileiro, as informações ainda não são suficientemente claras quanto a qualidade e origem do vinho. Diante de tantas opções e com pouca informação, é natural que o consumidor não se sinta tão à vontade na hora de arriscar num rótulo desconhecido e prefira permanecer na zona de conforto. ” – fundadora da Wine Exclusive, a empreendedora francesa investe num novo conceito: a oferta de vinhos exclusivos vindos de regiões nobres da Europa.

Mesmo em tempos de crise, dados da Ibravin apontam que em 2015 o consumo da bebida no país cresceu 4,6% em comparação com o período anterior – demonstrando o potencial do mercado. De olho nessa oportunidade, a Wine Exclusive aposta numa tendência que já conquistou o mundo das cervejas: a produção artesanal. Contudo, quando se trata de vinhos, esse conceito está muito mais ligado à tradição e excelência no preparo do que a “gourmetização” do produto.

De acordo com Geoffrey Pompier, diretor enólogo e júri no concurso nacional de agricultura da França “O grande diferencial é que trabalhamos com um produto verdadeiramente artesanal, fruto de uma produção em escala humana que garante a qualidade e tradição desde o cultivo. Nossos rótulos envolvem uma cultura de cuidado com a terra, com a uva e com o armazenamento das garrafas, o que garante um produto verdadeiramente exclusivo, que chamamos de vinho de ‘créateur’. ”

Outra vantagem para o consumidor é poder identificar a procedência do vinho que está consumindo “Por trabalharmos com associações de viticultores independentes reconhecidos na França, todo contra-rótulo possui identificação do produtor, que assegura sua origem artesanal. ”. De acordo com Pompier “Atualmente, no mercado nacional, 80% dos vinhos comercializados no varejo e internet são originários de uma produção industrial que padroniza o sabor, a cor e o cheiro da bebida, além disso não possuem qualquer identificação a respeito do produtor, até mesmo no caso dos mais caros e conhecidos. ”

Contudo, para este segmento ganhar força, é preciso vencer uma das crenças mais difundidas entre os consumidores brasileiros: de que quanto melhor o vinho, mais caro. Essa concepção impede que o consumidor conheça diferentes rótulos e que o próprio consumo da bebida se expanda de uma maneira geral. Ainda que os impostos representem um grande desafio para o setor – as taxas de importação podem elevar o custo de uma garrafa em até 150% – os empreendedores apostam no consumo qualificado para vencer essas barreiras. “Se observamos o mercado artesanal de cervejas, podemos ver que o brasileiro aderiu ao conceito de valor agregado do produto e está disposto a pagar mais por um produto que proporcione uma boa experiência. O mesmo pode acontecer com o vinho, que tem até mais espaço no cotidiano do que sua principal concorrente, a cerveja. ” – afirma Duchene. Para a empreendedora, o brasileiro precisa conhecer melhor o mundo dos vinhos e adotar novos critérios de escolha, assim terá uma percepção aprimorada da sua relação custo-benefício, “o vinho representa mais do que requinte e sofisticação, é também saúde e bem-estar. ”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *