Para o Executivo Financeiro de 2016, empresas estão pagando alto preço pela ausência de reformas e falhas do governo federal

O mundo financeiro do Paraná elegeu o administrador Rogério Latchuck, diretor da Arauco Brasil, que é a maior companhia florestal do hemisfério Sul, como o Executivo de Finanças de 2016. Ele receberá na próxima quinta-feira (27), em cerimônia no Graciosa Country Club, o Troféu Equilibrista, que é concedido há 31 anos consecutivos pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR) e é considerado o Oscar das finanças.
Eu conversei com Rogério Latchuck sobre a situação financeira atual das empresas, que aliás não é nada confortável, e ele me disse que as companhias de uma forma geral estão pagando um alto preço pelas falhas do governo federal, que não fez as reformas necessárias, sem contar que diante da insegurança política, antes do impeachment, as empresas seguraram os investimentos e o País há mais de dois anos ficou em compasso de espera.
Latchuck, que começou trabalhando como office boy na empresa paranaense Placas do Paraná, adquirida em 2005 pela chilena Arauco, liderou o processo de reorganização societária do grupo e implantou melhorias nos controles internos que maximizaram os resultados financeiros da empresa. Em 2013 assumiu o cargo de diretor de Planejamento e Controladoria e em 2015 de diretor de Administração e Finanças do grupo Arauco no Brasil, que engloba sete empresas e mais de dois mil empregados. O Equilibrista de 2016 me disse que com o novo governo os empresários estão vendo um horizonte mais claro pela frente, mas é fundamental que as reformas trabalhista e previdenciária sejam aprovadas o mais rápido possível.
Na opinião do Executivo de 2016, outro ponto que deve ser melhor avaliado pelo governo é o Custo Brasil, que é muito alto e tira a competitividade das nossas empresas. E, neste momento, segundo Latchuck, a palavra de ordem nas empresas é otimização, que deve ser aplicada a todos os ramos de atividade, e significa produzir de uma forma melhor, mais inteligente e com menos recursos.
Quanto às exportações, o Equilibrista me explicou que a otimização também pode apontar se o mercado internacional é o melhor caminho a ser seguido, neste momento em que a economia brasileira está retraída. Na sua avaliação, em cenário de dólar alto, acima de R$ 4, exportar é vantajoso, mas com a moeda norte-americana cotada a R$ 3,20 deixa de ser favorável e, em alguns casos, as empresas devem fazer uma análise melhor.
Por último, sobre os juros, Latchuck me disse que a redução anunciada esta semana pelo Copom foi muito pequena, mas é positiva sob o ponto de vista psicológico e é um sinal de que novas baixas deverão acontecer no futuro.
Reconhecimento
O troféu Equilibrista é entregue anualmente ao executivo que mais se destaca na gestão financeira das empresas que operam no Paraná. Em 2016, cinco nomes concorreram ao prêmio e apresentaram seus cases de sucesso ao crivo do mercado: além de Latchuck, os diretores da Electrolux Latin America, Gisele Benetollo; da Klabin, Antonio Sergio Alfano; do Restaurante Madero, Sergio Cordeiro; e da Fundação Copel, José Carlos Lakoski. Os associados do IBEF-PR votaram pelo site e o processo foi auditado pela PwC Brasil. Gisele Benetollo e Sergio Cordeiro receberão placas como Destaques de Finanças.
O evento da próxima quinta-feira (27) terá a presença da economista Fabiana D’Atri, coordenadora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. Ela vai palestrar sobre as questões macroeconômicas brasileiras. Fabiana também foi economista do BBI Banco Bradesco de Investimento. Sua experiência inclui passagens pela Mauá Asset Managment, Tendências Consultoria e Banco Real ABN AMRO. É graduada em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Economia pela Escola de Economia Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV).


