Players internacionais do setor de jogos reafirmam intenção de investir no Brasil, mas aguardam segurança jurídica e tributária
“O Brasil terá que criar uma estrutura para licenciar e fiscalizar. Este é o grande desafio”, observou Paulo Lopes, diretor do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Ministério da Economia de Portugal. “Este processo é extremamente importante para o Brasil, pois trará investimentos e recursos. O país precisa ter uma regulação forte e inspirada nas melhores práticas globais”, ressaltou Ed Bowers, VP Senior da MGM Resorts International Brazilian Gaming Congress continua nesta terça-feira (22), em São Paulo, para discutir como serão operados cassinos, bingos, jogos online e loterias em um cenário de regulamentação no país
Os players internacionais do segmento de jogos reafirmam a intenção de investir no Brasil caso entre em vigor o novo marco regulatório do setor, mas esperam encontrar segurança jurídica e tributária. Este é o consenso que sintetiza o primeiro dia da 3ª edição do Brazilian Gaming Congress (BgC), evento promovido pela Clarion Events Brasil que acontece no Tivoli Mofarrej, em São Paulo (SP). Com o tema “Ampliando sua visão” (Magnifying your vision), o encontro discute o cenário dos jogos como bingos, cassinos e loterias no país em um ambiente legalizado.
“O Brasil terá que criar um estrutura para licenciar e fiscalizar. Este é o grande desafio”, observou Paulo Lopes, diretor do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Ministério da Economia de Portugal. “Mas o governo está no caminho certo, pois o importante é ter uma legislação. O jogo não para. As pessoas jogam todos os dias e o Estado perde milhões em tributos”.
A regulamentação de jogos em bingos, cassinos, na Internet e loterias está em fase avançada de tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O PL 442/91 e o PLS 186/2014, que propõem um marco regulatório para o setor, são apostas do Governo Federal para reerguer a economia, atraindo novos investimentos e gerando empregos. “Este processo é extremamente importante para o Brasil, pois trará investimentos e recursos. O país precisa ter uma regulação forte e inspirada nas melhores práticas globais”, ressaltou Ed Bowers, VP Sênior da MGM Resorts International.
Ele citou, como exemplo de temas que precisam de atenção, o tempo das concessões de exploração de cassinos: “Para atrair investidores é fundamental levar em conta a relação entre o período de concessão e os investimentos necessários para viabilizar o projeto”. Outra questão, apontada pelo economista Ricardo Amorim em sua participação no evento, é o aspecto político-econômico. “O problema de confiança no Brasil é político e fiscal. Com as contas públicas em ordem, atraímos investimentos, geramos empregos e aumenta-se o consumo”, disse.
O presidente do Casino Marina del Sol, do Chile, Nicolás Imschenetzky, vê grande potencial no Brasil, mas destaca três aspectos que podem tornar o país atrativo, em um ambiente de jogo legalizado, para o seu segmento. “São três coisas: ter regras claras, cassinos em número suficiente para atender público interno e turistas e contar com uma tributação atraente”.
Proposta de marco regulatório em andamento na Câmara agrada mais o mercado
Entre o PLS 186/2014, que será votado no plenário do Senado em 7 de dezembro, e o PL 442/91, em tramitação na Câmara, o mercado e especialistas no tema optam pelo último como marco regulatório do setor. “É o projeto que melhor reflete os desejos da sociedade e que viabiliza o jogo no Brasil. Neste documento está definido, por exemplo, que 20% do que for arrecadado em virtude dos jogos será destinado para o fundo do turismo”, destacou Patricia Furlanetto, da Eichin Amaral & Furlanetto Advogados.
O presidente do Instituto Jogo Legal (IJL), Magnho José, também tomou partido: “Temos preferência pelo projeto da Câmara, que é mais abrangente. Hoje temos entre 500 e 600 mil máquinas de rua no país. Precisamos legalizar isto”. Fábio Ferreira Kujawski, da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, apontou outro avanço. “Este projeto abrange os jogos online, determinando que a empresa que queira operar no Brasil esteja estabelecida no país, com um estabelecimento físico e data center aqui”, explicou.
O consultor internacional de negócios Frederico Lannes alertou, no entanto, que é preciso ter cuidado com a tributação: “Vemos o Brasil como um centro de grandes oportunidades. É necessário, no entanto, tomar cuidado para que a tributação não inviabilize o mercado”.








