Em tempos de crise, consumidores identificam novos valores para viver e comprar
Com o objetivo de olhar os consumidores de perto e perceber como a crise está influenciando as suas vidas, a agência Dim&Canzian acaba de concluir um estudo para entender os valores dos brasileiros em novos tempos, novas tecnologias e mudanças sociais. Os resultados desse levantamento feito nas cinco regiões do Brasil em mais de 50 horas de entrevistas trouxeram dez grandes insights em várias áreas como saúde, alimentação, redes sociais, relacionamentos, consumo, mobilidade, além dos principais valores que vêm ganhando força e que movem as pessoas.
Eu quero chamar a atenção dos empresários das mais diversas atividades econômicas que este tipo de pesquisa deve ser analisado e estudado, pois os resultados podem dar um indicativo dos negócios a partir da nova realidade.
O primeiro item da pesquisa trata das relações. Ou seja, em tempos de incerteza econômica, os brasileiros estão estreitando os laços e apertando o nó. Sair de casa ficou mais caro, mas nem por isso as pessoas pararam de se ver ou celebrar suas conquistas. As reuniões em casa, em torno da mesa para comer e beber com amigos e parentes, ganham força; assim como as relações familiares. Isso mostra que menos consumo se traduz em mais relações.
Quanto ao consumo, em tempos de crise, quem comprava por impulso passou a pensar duas vezes antes de adquirir supérfluos. Assim sendo, a preferência hoje é pelos itens básicos para casa. A recessão criou uma alavanca para o consumo mais consciente. Outra tendência é a procura maior por produtos usados e a venda direta entre amigos e vizinhos. A internet também impulsionou esta tendência, com sites que oferecem produtos de segunda mão com preço convidativo. A tendência da cultura faça-você-mesmo, ganha força. O mercado de assistência técnica aumenta porque as pessoas têm interesse em consertar ou reformar os produtos.
No item alimentação, produtos industrializados estão perdendo espaço para comida feita em casa com alimentos mais saudáveis. Este crescimento vem promovendo um boom na demanda por conteúdo culinário na TV e no YouTube.
Quando indagados sobre marcas, os consumidores disseram depender cada vez menos delas para formar sua identidade e confessaram ter paixão por empresas que entregam um serviço além do seu negócio. Neste sentido, conclui-se que a crise tem gerado oportunidades para marcas novas, sem histórico. E isso não se aplica só a produtos de consumo. Startups em todos os segmentos vêm ganhando espaço.
No item saúde, a pesquisa revela que o investimento em saúde é o último gasto que o brasileiro considera cortar ou reduzir. Ter um plano de saúde se mantém como prioridade, já que a rede pública continua não transmitindo confiança para os usuários. Como alternativa, começa a surgir um segmento de atendimento express em clínicas e consultórios com preços populares.
Em um mundo onde as pessoas não são ouvidas e se sentem cada vez mais sem voz, as redes sociais ganham status de palanque e militância, gerando empoderamento. Com a crise, as mídias sociais também viram alternativa de entretenimento possível.
O levantamento da agência Dim&Canzian revelou que a segunda e até terceira fonte de renda estão se tornando comuns em tempos de recessão. As pessoas estão transformando hobbies e expertises em negócio, com versatilidade e criatividade. Já o maior medo dos brasileiro é o de fracassar. Ainda assim, o maior sonho é ter tempo e, consequentemente, tranquilidade. O brasileiro quer “ser”, mesmo que para isso precise “ter” menos. “As pessoas têm aderido ao home office, elas querem ter mais flexibilidade no trabalho”, destaca Samantha Barbieri, diretora de Planejamento e Pesquisa da Dim&Canzian e também curadora do estudo.
Quanto ao futuro do Brasil, a pesquisa apontou que se pudessem mudar um único aspecto do País, esse item seria a educação. A resposta foi unânime: 100% dos entrevistados destacaram este quesito quando falam e pensam em novos valores para o futuro.
Por último, transparência e cumplicidade foram os dois valores que mais se destacaram entre os entrevistados. Este novo brasileiro quer transparência dos partidos políticos, das operadoras de telefonia, do síndico; e cumplicidade de quem está ao seu lado e das marcas com as quais se relaciona. Para definir a importância destes valores e do exercício deles, foi criada a palavra “Transparencidade”. “A palavra não existe no dicionário, mas já está no coração do brasileiro. Só tomamos a liberdade de criar um nome”, reforça Michele Dim Dippolito, Chief Creative Officer da Dim & Canzian.
“Essa pesquisa veio com a missão de decifrar o que estão pensando os brasileiros desses muitos ‘Brasis’ que há no Brasil e nos trazer uma leitura contemporânea desse momento tão singular que estamos vivendo, globalmente”, explica Samantha Barbieri.








