O Brasil está preparado para o fim do dinheiro?

O dinheiro em espécie ainda é a forma favorita de pagamento no Brasil.
O dinheiro em espécie ainda é a forma favorita de pagamento no Brasil.

A Suécia anunciou em abril que, até 2030, todas as cédulas e moedas do país deverão sair de circulação. A “sociedade sem dinheiro” é o futuro certo – e nada distante – das movimentações financeiras nos países da Europa e nos Estados Unidos. Para se ter ideia, no velho continente apenas 7% dos pagamentos ainda são realizados em dinheiro. No Brasil, as notas ainda são o método favorito de pagamento, mas o cenário está prestes a mudar. “Somos um dos mercados mais evoluídos do mundo, e o aumento na demanda trouxe adquirentes globais importantes e novos facilitadores de pagamentos”, aponta Guilherme DeSanti, senior advisor de AES da UL do Brasil.

O mercado de pagamentos digitais vive seu melhor momento. Em 2016, o mundo viu o Apple Pay finalmente começar a se expandir e conheceu o Google Pay e o Samsung Pay, serviços que dispensam os cartões físicos para pagar compras virtuais e até físicas. Em julho, a Mastercard também anunciou sua versão da modalidade, o Masterpass. Vale destacar que o Brasil foi o primeiro país da América Latina a receber a novidade, com o Samsung Pay. “Além do standard, que são os cartões de crédito e débito, os cartões pré-pagos, comércio eletrônico e transações do tipo NFC, como o Apple Pay, são as que mais crescem no país”, continua Alexandre Matta, gerente de vendas da UL.

Mesmo que o uso do smartphone no lugar da carteira esteja em franco crescimento, é nítido que os clientes ainda têm um pé atrás sobre o assunto. Uma pesquisa recentemente realizada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) sobre o uso de tecnologias bancárias, mostrou que, embora o uso do mobile banking tenha crescido mais de 100 vezes em quatro anos, 72% das operações realizadas com dispositivos móveis ainda são consultas de saldos e extratos. As transações com movimentação de dinheiro, por sua vez, amargaram apenas 5% do total.

Parte disso pode ser explicada pela falta de confiança do cliente, uma percepção de insegurança e de vulnerabilidade das informações, sujeitas tanto à ação de softwares mal-intencionados quanto a roubos físicos do dispositivo em questão. “Esses riscos são mitigados hoje pelas normas internacionais de segurança e a certificação de seus meios de pagamento online”, comenta DeSanti. “Mas esse é um processo contínuo, como a acreditação do PCI (Payment Card Industry), que deve ser refeita todos os anos”, completa.

É contínuo também o processo de aprimoramento pelo qual as empresas que fornecem as transações eletrônicas devem passar para garantir segurança aos novos clientes que não param de chegar. “A tokenização é hoje o principal elemento para isso, que garante que mesmo que as informações sejam de alguma forma capturadas, não valham nada”, destaca Matta. Para os próximos anos, não são pequenos os desafios. “A indústria bancária terá que desenvolver sistemas cada vez mais evoluídos e robustos e critérios mais rígidos de segurança transacional e da informação”, prevê DeSanti.

As APIs (Application Programming Interface) abertas, outra grande tendência para facilitar a entrada dos bancos e empresa na era do pagamento digital, também merecem atenção especial. “Para garantir a segurança, não se pode abrir mão de medidas preventivas que utilizem criptografia para autenticação de todas as partes envolvidas na transação”, alerta DaMatta. “E essas chaves criptográficas e dados de clientes, que são dados sensíveis, não podem ser disponibilizadas abertamente”, complementa o gerente de vendas da UL do Brasil, multinacional com mais de 120 anos de experiência em serviços de segurança. “Além de certificar os smartphones, prestamos consultoria para a implementação do sistema de transação e orientamos sobre as regras de autorização e certificação”, finaliza.

Para aposentar as cédulas sem medo

Em cinco anos, segundo o e-Bit, as vendas no comércio eletrônico cresceram 120%. Em 2015, foram 41,3 bilhões de reais movimentados online. Mesmo nesse campo, já mais popular entre os brasileiros, ainda assim é preciso tomar cuidado. “O cliente corre o risco de ter seu cartão clonado e seus dados utilizados para atividades ilícitas ao usar sistemas de pagamento não certificados”, alerta DeSanti. Para afastar o problema, basta ficar atento. “Verifique se o site ou aplicativo atende às normas do PCI, se está atrelado a grandes bancos e pesquise o serviço em órgãos oficiais para garantir a idoneidade da empresa”, complementa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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