Receita do setor de máquinas encerrou 2016 com a pior marca da história

O setor de máquinas e equipamentos passa pela maior crise de sua história que, mesmo diante de uma retomada da economia, deve ser um dos últimos a voltar a crescer por conta do elevado nível de capacidade ociosa da indústria em geral. A análise é da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira (26), em que foram divulgados os últimos indicadores econômicos do setor.
A expectativa de faturamento, em 2017, é de 5% de crescimento, depois de quatro anos seguidos de queda. Mesmo assim, o discurso de retomada é de incerteza frente às delações de executivos da Odebrecht e o processo de cassação da chapa de Dilma Rosseff e Mechel Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O maior risco do nosso país não é o Efeito Trump, é o risco político. É isso que leva ainda a um ponto de interrogação de quem vai pensar em investimento”, diz o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan.
Por enquanto, as tendências levam para o adiamento de novos investimentos, mesmo diante da ligeira expansão da atividade econômica prevista para 2017 e 2018. Segundo Marchesan, o Brasil carece de uma política industrial ampla para que se possa alçar voo para uma indústria com isonomia em relação aos outros países com perspectiva de crescimento. Mas também destacou alguns avanços como a PEC do teto dos gastos públicos, reforma da previdência e reforma trabalhista, que, segundo ele, vão dar uma modernizada nas relações de trabalho para que haja confiança de investidores estrangeiros.
Após três recuos consecutivos (-5% em 2013, -11,6% em 2014 e -14,4% em 2015), a receita líquida total (vendas internas mais exportações) da indústria de máquinas e equipamentos registrou nova queda em 2016, de 24,3%. O dado representa o pior desempenho para um ano, na série histórica iniciada em 1999.
Os dados negativos recaem no índice de desemprego. Desde 2013, quando teve início a queda de faturamento da indústria de máquinas, já foram eliminados mais de 80 mil (81,4 mil) postos de trabalho no setor. Em 2016, o número de pessoas ocupadas na indústria de máquinas e equipamentos ficou em 290,6 mil, o que representa um recuo de 6,5% (ou 20,3 mil empregados a menos) em relação a dezembro de 2015.
Mas o eixo de reativação mais visível repousa no prosseguimento do ímpeto competitivo do agronegócio exportador, beneficiado por contínuos aumentos de produção e, principalmente, produtividade, em um contexto de crescimento moderado, sem bem que generalizado, da economia internacional, acompanhado da valorização do dólar. Desnecessário ser especialista para perceber que é pouco para produzir o reerguimento sólido das transações por aqui.








