Lei das Estatais sai da prateleira e dá sinais que veio para ficar

Gino Oyamada: a nova lei inibe o conflito de interesses.

Depois de quase um ano da sanção da Lei das Estatais já se pode dizer que ela contabiliza resultados positivos e que veio para ficar. Dois exemplos concretos de que essa lei saiu da prateleira são o cancelamento da nomeação de Giles Azevedo, ex assessor de Dilma Rousseff, indicado pela Cemig para compor o Conselho da Light, bem como o cancelamento pelo atual governo federal das nomeações que havia feito para as diretorias da Itaipu Binacional.

Eu conversei com o diretor da 3G Governança, Gestão e Gente, Gino Oyamada, que é também conselheiro de empresas, e ele me disse que a lei das estatais veio de forma ampla para regular uma série de aspectos, fechando os círculos que davam a oportunidade para a má gestão. Aliás, segundo Oyamada, se essa lei tivesse sido sancionada há mais tempo não estaríamos assistindo os tristes episódios em relação a Petrobras.

Voltando ao caso do cancelamento da nomeação de Giles Azevedo, o diretor da 3G destaca que isso é algo inédito pelo fato de a Light ser uma empresa privada, mas parcialmente controlada por uma estatal, no caso a mineira Cemig. Aliás, neste episódio houve um pequeno período de discussões e reflexões sobre o enquadramento de empresas binacionais no escopo da Lei das Estatais. De acordo com Gino Oyamada, felizmente, venceram a lógica, o bom senso e a adoção da melhor prática de governança, uma vez que não se pode privilegiar partidos na gestão da coisa pública. Mas, o que deve realmente prevalecer é o profissionalismo.

Um dos grandes méritos da Lei das Estatais apontado pelo diretor da 3G está em seu artigo 17, que determina que ex-dirigentes partidários não podem mais assumir posições executivas ou de Conselho em empresas públicas, sejam elas ligadas aos governos Federal, Estadual ou mesmo Municipal. Gino Oyamada lembra que historicamente as estatais acabaram se tornando cabide de emprego e composição de bases partidárias. As novas regras estabelecem o perfil das pessoas que possam ser indicadas para os cargos e conselhos das estatais. A partir de agora, quatro dos membros do conselho terão que ser independentes, tornando as estatais mais profissionalizadas.

Outro avanço é que mesmo que a estatal seja de capital fechado, ela terá que se reportar à Comissão de Valores Mobiliários.

Eu perguntei ao diretor da 3G se estas medidas já começam a se refletir nos resultados financeiros das estatais e ele me explicou que como há um período de transição e a medida que as renovações forem acontecendo, certamente teremos a oportunidade de conferir números positivos nos balanços fechados de 2017. “Inegavelmente, estamos diante de um novo marco regulatório e esperamos que a nova Lei se consolide: despolitizar a gestão de empresas públicas é um clamor da sociedade, que busca o melhor daquilo que representa um bem comum”, conclui Gino Oyamada.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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