Fusões e aquisições de empresas continuam em alta, mas muitos erros estão sendo cometidos durante o processo de negociação

Fábio Astrauskas: muitas vezes o negócio pode ser um “tiro no pé” de quem compra.

Embora o momento econômico seja de cautela, o Brasil continua apresentando um cenário importante na área de fusões e aquisições de empresas. No primeiro semestre do ano, de acordo com dados da auditoria PwC, houve um aumento de 5% nos negócios em relação a 2016 e a expectativa é de que o crescimento será maior no segundo semestre, dependendo da estabilização política e econômica, principalmente nas operações envolvendo grupos estrangeiros. E só para citar alguns exemplos, em menos de um mês tivemos a venda da Fnac para a Livraria Cultura; a Alpargatas, dona de marcas Havaianas e Osklen e controlada pelo grupo J&F, vendeu sua participação para a Itaúsa, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant; o grupo francês L’Oréal fechou um acordo para a venda de sua marca britânica The Body Shop ao grupo brasileiro Natura. E a Vigor Alimentos, também do grupo J&F, está sendo comprada pela mexicana Lala Foods.

Segundo o economista e especialista em empresas em crise, Fábio Astrauskas, este é o momento de vermos cada vez mais grupos colocando seus ativos à venda e isso é um reflexo de uma crise que já existia, mas que levou certo tempo para alcançar as grandes companhias. Agora, um ponto importante a ser questionado não é como essas aquisições ou fusões são feitas, mas sim os principais erros que são cometidos durante o processo; o que faz sentido comprar ou não; em que condições a compra de ativos deve ser feita e o porquê de que muitas vezes o negócio pode ser um “tiro no pé” de quem compra.

Um exemplo citado pelo especialista é o das Livrarias Cultura e Fnac. Ambas as empresas atravessam uma situação delicada. A Livrarias Cultura tem uma dívida com bancos de R$ 60 milhões. Já a Fnac só para sair do Brasil colocou R$ 150 milhões no negócio. Fábio Astrauskas considera que a junção das duas livrarias é uma alternativa desesperada de tentar reverter o cenário e não quebrar.
O especialista também chama a atenção para o fato de que uma boa parte das empresas que está com ativos à venda no Brasil tem dívidas tributárias. Por isso, antes de começar a negociar é fundamental saber se a empresa está em dia com a parte contábil, financeira e inventário. Se possui o comprovante de receitas e despesas, além de um histórico positivo de governança. Só para se ter uma ideia, estudos apontam que de cada dez processos de aquisição apenas três são concretizados com sucesso. Os demais não prosseguem por problemas de condução da venda, má preparação ou problema de relacionamento entre as partes negociantes.
Outros pontos decisivos apontados por Fábio Astrauskas, que é CEO da Siegen, consultoria de empresas especializada em gerenciamento estratégico, para que uma negociação avance é analisar o histórico da empresa; verificar os contratos com os clientes; demonstrativos de resultados, balanços, o fluxo de caixa da empresa, projeções futuras de receitas com as projeções respectivas das despesas e os investimentos futuros.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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