Diante da crise e da busca por investidores, governança corporativa passou a ser preocupação também das pequenas e médias empresas
Até bem pouco tempo atrás, a governança corporativa se restringia aos grandes negócios e as empresas de capital aberto. Hoje, diante da crise econômica e política e da incessante busca por investidores, ela passou a ser preocupação também das pequenas e médias empresas. Tanto o é que a Amcham, que é a Câmara Americana de Comércio, filial de Curitiba, está realizando hoje o Seminário de Governança Corporativa que tem como objetivo debater a importância dos conselhos como ferramenta de auxílio para o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, em questões da sucessão familiar e da busca de investidores visando o seu crescimento no mercado.
Uma pesquisa recente da consultoria Deloitte com 100 empresários brasileiros revelou que a maioria das empresas de pequeno e médio porte reconhece a importância de práticas como acordo e conselho de acionistas, normas e procedimentos formalizados, auditorias, código de ética e canal de denúncia. Já a pesquisa Investidores de Impacto – conduzida pela Din4mo revela que para o investidor, um ponto crítico das empresas brasileiras é a governança.

Eu conversei com o diretor da RCA Governança, Sucessão e Gestão, e que está mediando, neste momento, o Seminário da Amcham, Cristiano Venâncio, e ele me disse que a governança corporativa é fundamental para o desenvolvimento das empresas, e é através dela que são estabelecidas as boas práticas e regras que dão sentido à rotina do negócio, proporcionando mais agilidade, transparência e autonomia às atividades da empresa, independente de que tamanho ela seja. Em outras palavras, uma empresa com governança corporativa tem bem mais credibilidade perante investidores.
Eu pedi para que Cristiano Venâncio me citasse alguns exemplos de empresas paranaenses que eram de pequeno porte e acabaram se tornando grandes depois de passarem por um processo de governança. Entre estas empresas estão a Akiyama, e a MadeiraMadeira. No caso da MadeiraMadeira, que era uma startup, depois de passar por um processo de governança bem estruturado, conta hoje com três investidores e o negócio se reporta para o conselho. O empresário Ismael Akiyama, fundador da Akiyama, demostrou no seminário da Amcham, em Curitiba, como é possível e importante formar um conselho em pequenas empresas com baixo custo.
Para implementar uma cultura de governança corporativa, é necessário saber quais são os valores essenciais para se manter nesse contexto. Normalmente, a cultura corporativa de uma empresa procura se fundar sobre valores como responsabilidade, transparência e eficiência, para então estabelecer estruturas específicas de implementação desses valores. Outro ponto importante é estabelecer uma hierarquia clara, definindo quem é a liderança direta. Além disso, uma pessoa, na figura de um presidente, por exemplo, deve receber a responsabilidade da decisão final, em uma situação de impasse. No caso de uma diretoria com igualdade de papéis, o cargo de presidente pode ser rotativo.








