Governança Corporativa é essencial no processo de tomada de decisões

Escolher um caminho que leve a empresa a atingir o seu melhor resultado diante de um variado número de caminhos a seguir é o desafio básico que qualquer liderança passa no dia-a-dia. Seja numa pequena, média ou grande empresa. O que diferencia, em muitas delas, é como essa decisão é tomada, e o tempo que leva para que a decisão seja escolhida.

No entanto, é fácil entender a lentidão nas tomadas de decisões em muitas das empresas brasileiras, principalmente quando se fala diretamente com os empresários ou com o brasileiro executivo. Infelizmente o país ainda é repleto de regras de legislações específicas por setores ou segmentos, regulamentações, burocracias em todos os processos das empresas que acabam bloqueando o processo decisório. Sem falar a insegurança no investimento e no futuro, além da incerteza junto ao cenário político do país e dos estados e municípios. “Todos esses fatores geram uma lentidão no processo decisório das empresas”, salienta o diretor executivo da Partner Consulting, Christiano Oliveira.
“O Brasil contabiliza um apetite grande de investidores querendo colocar o dinheiro em diversas iniciativas mas, sem visibilidade do rumo do País, seja em função de um planejamento da nação nada claro para a população, seja em função das atrapalhadas gerais, tudo fica lento, tudo é postergado, tudo é jogado para frente. Em abril de 2008 o Brasil ganhou o famoso grau de investimento, nota atribuída ao País que o classificou entre o grupo de nações consideradas de pouca possibilidade de inadimplência, passando a ser visto como País de baixo risco para aplicações financeiras de estrangeiros. Sete anos após, no segundo semestre de 2015, perde o investment grade. E perde não somente pelo risco, mas por uma avaliação que constatou a deterioração fiscal, a falta de coesão da equipe ministerial e efeitos da corrupção da classe política, entre outros pontos”, salienta Christiano.

Vários são os fatores que podem ser mencionados que contribuem para a morosidades nas tomadas de decisões. Temos no país cenários propícios, riscos incertos e oscilantes. Variações cambiais, inflações e todo o impacto que afeta a balança comercial entre fronteiras. “Por tudo isso, investidores, acionistas e executivos tendem a postergar decisões. É importante dizer que não falta apetite algum para investimentos, mas a morosidade acontece na medida que o investidor espera a melhor janela de oportunidade para investir”, explica Christiano.

No entanto quando uma empresa opta pela implantação de Governança Corporativa, mesmo estando imersa no cenário brasileiro de incertezas, ela traça uma linha divisória na sua porta de entrada que pode, sim, acelerar suas decisões ou estar prontamente preparada para a melhor janela de oportunidade. E isso é comprovado pela Marel S/A, empresa paranaense de móveis planejados, que segundo Rudi Scheuer, Vice Presidente do Conselho de Administração da Marel, desde a implantação da Governança Corporativa ficou bastante claro o poder decisório de cada envolvido e também a que instância deve recorrer em caso de dúvida.

“Antes de iniciarmos o processo de Governança, as decisões eram tomadas prioritariamente pelas diretorias envolvidas em consonância com diretrizes pré estabelecidas. Com a governança as decisões são tomadas tendo como base nos níveis estabelecidos pelo Conselho de Administração, sendo que as decisões importantes envolvem todas as diretorias”, esclarece Rudi.

Segundo Christiano, as empresas vem adotando Governança Corporativa como condição fundamental na formação de negócios sólidos com as exigências do mercado, elencando como princípios a transparência, a prestação de contas, a equidade e a responsabilidade corporativa, que são traduzidas no desenvolvimento dos negócios através de seu crescimento sustentado. “A implantação de uma visão estratégica de seus negócios, a transparência em sua gestão e a orientação por resultados permite que acionistas e executivos estruturem seus planos e suas decisões, incluindo nessas análises todas as dificuldades brasileiras. O balanço final da equação de quem planeja e estrutura um alinhamento geral de curto, médio e longo prazo reflete em decisões não só mais rápidas, mas muito mais assertivas. Tomar decisão errada custa muito caro. Não decidir também pode custar caro. Superestimar mercado, não pensar no longo prazo, seguir a manada, querer crescer a qualquer custo podem ser exemplos geradores de risco nas decisões. A busca por uma melhor Governança tende a equalizar esses fatores e resultar em tomadas de decisões mais assertivas”, avalia.

O processo de governança implantado na Marel, deixou mais transparente todas as ações praticadas pelas diretorias, com ganhos visíveis em todas as áreas. “O novo formato administrativo foi amplamente divulgado na empresa junto com o novo organograma funcional. A mudança mais drástica está sendo o fim da departamentalização na empresa, com ganhos significativos no Recursos Humanos e também no controle e redução de despesas”, conclui Rudi.

Implantação da Governança Corporativa

A implantação da Governança Corporativa sugere a formação de um Conselho de Administração ou, no início, um Conselho Consultivo. Esse Conselho passa a ser o órgão mais importante na empresa, exercendo a representação dos acionistas para analisar e decidir sobre os assuntos da empresa, sobretudo aquilo que é considerado estratégico. Esse órgão visa definir diretrizes, tomar decisões, se relacionar com o mercado e dar credibilidade à gestão empresarial. Uma vez instituído, o principal cuidado que a empresa deve ter é tornar a agenda desse Conselho a mola mestra de orientação para qualquer ponto estratégico.
“A decisão rápida reflete em competitividade, sair na frente, remar em direção a construção de resultados e, portanto, ao crescimento, a perenidade e a longevidade dos negócios”, salienta Christiano. Mas, segundo o diretor executivo, antes da velocidade, o que importa é a assertividade. “Decidir é preciso, mas desde que seja uma decisão assertiva”, afirma.
A Governança Corporativa pretende, através do Conselho de Administração, dar orientação geral dos negócios da companhia, a fim de garantir a manutenção das estratégias estabelecidas, envolvendo os setores. E, uma vez implementada, a empresa ganha foco na análise dos resultados, com uma visão crítica bem fundamentada por análises de indicadores de desempenho e com a elaboração de planos de ações efetivos e execução dentro dos prazos determinados pelo conselho. “Por isso, agiliza decisões, passando a decidir adequadamente”, afirma Christiano.
“Não existe uma hora certa para implantar a Governança, mas sempre é o momento para buscar transparência, equidade e prestação de contas”, avalia Christiano. Quando se tem um indicativo de se adequar a gestão, quando se pretende buscar processos e procedimentos, quando se evidencia a necessidade de estabelecer papeis de acionistas e executivos e o próprio atual crescimento dos negócios podem ser indicativos da Governança Corporativa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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