Prova de conceito é a aposta de empresas para projetos inovadores
Viabilizar a inovação no dia a dia das empresas, sem grandes gastos, com agilidade e aumento das chances de sucesso é a nova estratégia que muitas companhias estão utilizando para oportunizar um novo negócio por meio do Proof of Concept Design (PoC Design). Ou seja, trata-se de um laboratório experimental, que utiliza essa prova de conceito, para testar projetos e avaliar não apenas a sua viabilidade técnica, mas principalmente se os usuários desejam a solução e se estão dispostos a pagar por ela, antes mesmo de colocá-la no mercado.
Curitiba é a única cidade brasileira a contar com uma empresa que trabalha com a metodologia de modelar negócios, produtos e serviços inovadores. Eu conversei com o diretor criativo da Action Labs, Paulo Renato Oliveira, e ele me disse que muitas ideias acabam sendo descartadas até que se chegue a um grande produto. Segundo o empresário, os produtos ou serviços inovadores não surgem nas empresas com processos tradicionais. A inovação não é um momento de genialidade, mas o resultado de uma postura de negócios e de processos que tornam a empresa ´fértil` para inovação. Então é preciso criar rotinas e procedimentos que coloquem a inovação no dia a dia das corporações.
As empresas que optam por trabalhar com o PoC design estão descobrindo uma nova maneira de inovar para conquistar mais clientes e obter melhores resultados, com custo reduzido. De acordo com o diretor da Action Labs, que está no mercado há 18 meses, com esta metodologia é possível gastar 10% do orçamento para uma prova de conceito e, depois, ter muito mais chance de investir corretamente os outros 90% na produção do um novo produto ou serviço que tenha aceitação junto aos consumidores.
Esta metodologia não é nova. A IBM, por exemplo, já utilizava na década de 80. A corporação queria uma solução para substituir as máquinas de escrever por computadores, com a ideia das pessoas falarem e o computador fazer o registro. Mas antes de desenvolver o projeto, foram reunidos potenciais clientes do software para simular a rotina com o novo programa. Com o feedback obtido, a IBM entendeu que não valeria o alto investimento naquela época – ainda que a tecnologia fosse viável, pois aspectos comportamentais da época impediam sua adoção. Hoje, é comum a tecnologia Closed Caption nas TVs e os Speech to Text , que convertem a fala em texto, como GPS, Whatsapp, Gmail, Siri e o próprio Watson, da IBM.
Com a Apple não foi diferente. Para chegar a um produto inovador como o IPhone foram realizadas muitas tentativas de produtos e serviços até chegar ao resultado final. Em 2004, a empresa chegou até a lançar um celular em parceria com a Motorola, o ROKR E1. Conhecido como o “pai do iPhone”, o modelo tinha um player com suporte às músicas do iTunes, em uma época em que ainda era comum a compra de músicas. A experiência foi um fracasso, mas a Apple adquiriu conhecimento sobre produção de celulares com a Motorola, que influenciou na criação do IPhone, lançado anos depois.
O processo de aplicação do PoC para um negócio leva, em média, entre 21 e 45 dias, dependendo da sua complexidade. Na avaliação do diretor da Action Labs, a empresa tem um bom mercado pela frente. O projeto Ei, Doutor! passou por este processo pela Action Labs. Paulo Renato destaca que o desenvolvimento inicial previa uma complexa plataforma de gestão de dados, com a análise preditiva de condições de saúde dos usuários, ao custo de cerca de R$ 600 mil.
No entanto, informa o empresário, o PoC indicou que a plataforma seria “inútil” sem dados, pois as empresas e operadoras de saúde não tinham estas informações. Portanto, o projeto deveria começar falando com o usuário final, para que ele alimentasse estas informações, que seriam então compartilhadas com as operadoras de saúde. “Antes de desenvolver a plataforma, criamos uma metodologia de captação das informações, que custou menos de 10% do valor. Isto se mostrou um produto tão essencial para o mercado que, no momento de investir na plataforma completa, nós já tínhamos receita para viabilizar o próprio desenvolvimento, com mais de 15 mil usuários na plataforma”, avalia o empresário.
Clêner Almeida, diretor executivo da Via Saúde, empresa fundadora do projeto Ei, Doutor!, explica que a plataforma foi criada com a Action Labs para tornar o negócio assertivo. “É um trabalho conjunto, finalizamos a primeira fase, mas estamos em constante atualização. Identificamos o melhor modelo, de acordo com a necessidade de absorção do mercado, e desenvolvemos a plataforma. Colocamos o projeto no ar graças a este tipo de ação. Sem isso, talvez teríamos seguido caminhos errados e mais longos”, detalha Clêner Almeida.








