Pesquisador da FGV analisa cenário econômico brasileiro para 2018

Marcel Balassiano: principal problema econômico do Brasil é a questão fiscal.

Para Marcel Balassiano, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a economia brasileira em 2018 deve crescer mais do que em 2017. Para o especialista, o ano representou a saída da recessão – a pior da história do Brasil. “A economia vai crescer 2,8% em 2018, de acordo com as projeções do FGV IBRE. A inflação já recuou bastante, e provavelmente vai ficar abaixo do limite inferior de tolerância (3,0%) esse ano e abaixo da meta novamente no ano que vem, algo em torno de 4%. As expectativas para a taxa Selic, que já recuou de 14,25% para 7%, são de mais uma queda para 6,75% na primeira reunião do Copom em 2018 e na manutenção desse percentual ou algo próximo desse patamar ao longo do ano”, diz Marcel Balassiano.

O pesquisador do FGV IBRE afirma que a taxa de desemprego continuará na trajetória de queda, apesar de ainda estar num nível bastante elevado. Balassiano ressalta ainda que o principal problema econômico é a questão fiscal, e em especial a previdência. E, como 2018 será um ano eleitoral, essas eleições vão ser muito importantes para os rumos do país nos próximos anos.

“Como já há alguns anos o Brasil vem de crises políticas, o principal problema econômico é a questão fiscal, com o governo prevendo déficit primário até 2020. Equilibrar a previdência é fundamental nesse cenário, por isso fazer a reforma nessa área é tão importante. Se a reforma não acontecer nesse governo, essa agenda vai ter que ficar para o próximo governo. E, mesmo que aconteça alguma reforma, outros pontos ainda vão ter que ser discutidos e melhorados depois”, avalia o economista.

Projeções para 2018

O FGV IBRE prevê uma queda de 2,0% para a agropecuária, depois do forte crescimento de 2017 (12,3%, segundo as projeções do FGV IBRE); 3,7% para a indústria; e 2,6% para os serviços. No lado da demanda, 3,9% de crescimento do consumo das famílias, 3,7% dos investimentos, 0,2% do consumo do governo, 4,0% das exportações e 5,8% das importações. “Sobre os investimentos, vale lembrar que desde 2014 esse componente vem apresentando crescimento negativo (para 2017, o IBRE projeta queda de 2,8%, depois da queda de 10,3% em 2016). Em 2018, o crescimento provavelmente será mais disseminado entre os setores, e veremos a volta do crescimento (por volta de 4,0%) dos investimentos”, destaca Marcel Balassiano.

As expectativas de mercado, segundo o boletim Focus, indicam que a taxa nominal de câmbio vai encerrar esse ano em R$ / US$ 3,25 (próximo da taxa atual) e R$ / US$ 3,30 no fim de 2018. “Câmbio sempre é uma variável muito difícil de prever, e é dependente tanto de fatores internos quanto externos. No momento, o ambiente internacional está benigno. Em 2018, em virtude das eleições presidenciais, o câmbio (assim como o risco) deve apresentar uma volatilidade alta, por conta das incertezas eleitorais”, explica o economista do FGV IBRE.

A nova diretoria do Banco Central assumiu a autoridade monetária em junho de 2016. Nessa época, a taxa Selic (taxa básica de juros) estava em 14,25%. De lá para cá, ocorreram várias reduções dos juros, se encontrando em 7,0% atualmente. “As expectativas de mercado são de ocorrer outra redução na reunião do Copom de fevereiro de 2018, levando a taxa Selic ao patamar de 6,75% no começo do próximo ano”, observa Marcel Balassiano. “A queda da inflação, que saiu de 10,7% no fim de 2015 para 2,8% nos últimos 12 meses terminados em novembro, possibilitou essa queda dos juros. Ambiente externo benigno, o retorno das expectativas de inflação ancoradas, a deflação de alimentos e a recessão contribuíram para essa redução da inflação”, diz Balassiano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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