Investimento em compliance cresce com a Lava-Jato, mas é preciso ir além das regras e formalidades

Maria Fernanda Teixeira, executiva da Integrow.

Recente pesquisa da Amcham (Câmara Americana de Comércio) revelou que quase 60% das empresas aumentaram seus investimentos em compliance em decorrência da operação Lava Jato. O estudo foi realizado com 130 executivos brasileiros e mostrou também que 46% dos executivos alegou “forte pressão” para a criação de estruturas e regras de compliance.

No entanto, apenas estabelecer regras e áreas formais de compliance não são suficientes para garantir a ética nos negócios e a perpetuidade da empresa, é o que afirma Maria Fernanda Teixeira, CEO da Integrow, empresa especializada em diagnóstico e implantação de programas de compliance e ética empresarial. A executiva confirma que, nos últimos 2 anos, houve um aumento significativo da procura por serviços e conhecimento na área de compliance, mas que há diferenças no grau de maturidade das empresas em relação a este assunto.

“Empresas multinacionais, especialmente de origem norte-americana, com atividade no Brasil já estavam mais avançadas, mesmo antes da Lava-Jato, por imposição de suas matrizes que lidam com leis anticorrupção desde os anos 1970. Já as empresas brasileiras estavam, de fato, mais imaturas. Nesse sentido, é importante lembrar também que, além da Lava-Jato, a Lei Anticorrupção brasileira é relativamente recente, de forma que é natural que as empresas tenham sua curva de aprendizado”, afirma Maria Fernanda Teixeira.

Tanto empresas brasileiras, como multinacionais, têm um desafio em comum: tornar o compliance efetivo e aderente às práticas da empresa. “Quando olhamos as empresas investigadas na Lava-Jato notamos que a quase totalidade tinham programas de compliance estruturados. Logo, não se trata de formalidade, mas sim de como estabelecer processos e controles que propiciem na prática a aplicação de determinados regras e valores”, ressalta a CEO da Integrow.

Uma abordagem efetiva ao tema começa com um diagnóstico da situação atual da empresa, incluindo a identificação dos pontos mais críticos. A pesquisa da Amcham, por exemplo, apontou que o principal foco de monitoramento da empresa (44%) é a gestão de parceiros, fornecedores e outros terceiros, seguida da preocupação com fraude, corrupção e lavagem de dinheiro (33%). Feito o diagnóstico individualizado, é elaborado um plano que inclui a parte formal com regras e estruturas de responsabilidade, mas também mecanismos de controle e supervisão como auditorias externas e canais de denuncia. Engajar a alta direção da empresa e conferir os recursos, estrutura e nível hierárquico adequado à área de compliance são outros fatores fundamentais neste processo. No caso específico das empre sas multinacionais, “tropicalizar” as regras da matriz é um passo também importante a fim de atender especificidades legais e culturais do Brasil.

A executiva da Integrow vai ainda mais longe: “está na hora de incorporarmos aos programas de compliance práticas que não se limitem à vigilância e ao treinamento de funcionários, mas que, de fato, incentivem e auxiliem conselheiros e executivos a usarem valores e diretrizes éticas para definir as estratégias e os grandes negócios das empresas – tais práticas estão sendo concebidas por meio de técnicas e conhecimentos do que chamamos de 3ª Geração da Ética Empresarial”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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