Renato Sá: o herdeiro que foi balconista para se tornar responsável pela maior rede varejista de tintas do Brasil

Renato Sá: ideia é sextuplicar a quantidade de lojas até 2023.

O paulistano Renato Sá, filho de Amilcar Sá, nasceu no meio de empreendedores. Na década de 1960 seu tio Manoel Sá, com os irmãos Armando e Amilcar, abriu a primeira loja de tintas voltada para o varejo na Zona Leste de São Paulo, no bairro da Mooca. Quando fez 16 anos, Renato fez um pedido ao pai: ele queria fazer parte da equipe da empresa. Amilcar considerou que o pedido do filho era apenas o chamado “fogo de palha” e o desafiou “poderia trabalhar sim, mas antes teria que tirar por conta própria a carteira de trabalho”. Com a ajuda do primo, no dia seguinte, Renato tirou a carteira e foi falar com o pai.

O pai o contratou, começaria no dia seguinte, uma sexta-feira. Iniciaria no balcão da loja. Teria que atender clientes, carregar latas, descarregar caminhão. Amilcar queria saber se o filho resistiria até o final do dia. Mesmo sendo filho de um dos donos, Renato não poderia ter regalias, teria que cativar e fidelizar os clientes. O objetivo do pai era despertar no herdeiro o mesmo senso empreendedor que motivou os tios e ele e os levou ao êxito nos negócios.

O futuro empreendedor percorria aos poucos seu próprio caminho. “Sem saberem da minha origem, clientes comentavam comigo o quanto a Tintas MC se mostrava diferente das lojas concorrentes. O vanguardismo da empresa estava no fato de não ser um depósito, como muitos na época, e sim um local com uma grife, o que agregava valor ao produto”, explica.

Aos poucos subiu de cargo, aprendeu com seus erros, superando seus limites e desenvolvendo uma percepção cada vez maior do desafio de ser herdeiro de uma empresa a frente do seu tempo. Após sete anos percorrendo cargos operacionais, Renato assumiu um cargo de liderança.

Mas a história não acaba assim. Apesar de herdeiro, Renato não estacionou em uma zona de conforto e, por isso, 15 anos depois de entrar na empresa do pai, foi atrás do próprio negócio, queria fazer diferente, pensava de outra forma. O pai o apoiou, virou seu mentor e conselheiro. Renato abriu sua própria distribuidora de tintas e seu status mudou de herdeiro para empreendedor. “Com 31 anos decidi provar meu potencial empreendedor e precisava alçar voo solo: abri minha própria empresa e convidei dois amigos para serem meus sócios”, revela Renato.

Sem dinheiro suficiente, mas com experiência de mercado, ele logo conseguiu aliados e não teve dificuldades em se aproximar de fornecedores. Longe da empresa da família, mas sempre com o apoio de seu pai Amilcar, montou a Distribuidora Premium, com atuação no atacado e na venda de materiais de construção. Com o slogan “A diferença é o nosso desafio”, depois de quatro anos, a empresa já era reconhecida no mercado como a maior distribuidora de tintas do Brasil.

De volta para casa

Dez anos tinham se passado e Renato comemorava o sucesso da Premium, quando o pai o chamou para assumir uma posição estratégica na Tintas MC. Renato resolveu voltar e decidiram em outubro de 2015, criar o Grupo Aliar, holding detentora das duas marcas (Premium e Tintas MC). Com Renato assumindo posto de Diretor de Estratégia e Marketing da Tintas MC, iniciou-se um ciclo de expansão com processo gerencial em três diferentes frentes: aquisição de lojas, abertura de lojas próprias e expansão via franquias.

Atualmente, após a incorporação do Grupo Aquarela Tintas, que marca a expansão para o interior de São Paulo e a entrada em Minas Gerais, a holding Aliar conta com 300 colaboradores. A proposta de Renato é trazer inovação para a tradicional empresa de 53 anos de idade, bem como diversificar as opções em tintas imobiliárias e industriais, acessórios para tintura e repintura automotiva. As lojas comercializam as principais marcas como Suvinil, Coral, Sherwin Williams, Tigre, Norton, Exin, entre outras.

E a expectativa é ambiciosa – após encerrar o ano faturando R$ 170 milhões e aproximadamente 100 lojas em operação, o objetivo é de que até 2023, sejam 300 lojas em todos os estados brasileiros. “Tínhamos uma atuação mais regional, centralizada em São Paulo, Guarulhos, ABC e Baixada Santista. A partir da incorporação do Grupo Aquarela Tintas, expandimos o nosso nome para outros estados do Brasil, com a missão de manter o crescimento aquecido nos próximos anos, mesmo em tempos de crise. A ideia é sextuplicar a quantidade de lojas abertas até 2023 e passar dos R$ 400 milhões”, revela Renato Sá que faz questão de lembrar: “O grande trunfo para atingirmos esta marca está na tradição do bom atendimento de balcão das lojas Tintas MC”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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