Shoppings centers e lojas ampliam leque de serviços

A transformação tecnológica e as novas relações de consumo no varejo brasileiro têm impactado diretamente no setor de shopping centers. Tanto os lojistas quantos os empreendimentos estão aumentando a oferta de serviços. “Do lado dos empreendedores proprietários de shopping centers, existe um movimento crescente de aumentar espaço destinado aos serviços – restaurantes, cabeleireiros, lazer, bancos. Por outro lado, os lojistas também estão alterando seu modelo de negócios para trazer clientes para dentro das lojas, deixando de vender apenas produtos e oferecendo serviços ou espaço para lazer”, afirma Tais Cundari, sócia consultora da Fesa Group, consultoria de retained executive search e de estratégia de Capital Humano.
Entre os exemplos há marca de roupa infantil que têm incentivado troca de figurinhas dentro das lojas para estimular maior fluxo; assim como há redes de chocolates investindo em espaço para cafés e lojas de brinquedos que criaram espaços para que as crianças possam brincar.
Do ponto de vista dos shoppings, o levantamento mais recente da Abrasce destaca exatamente essa tendência de transformar os centros comerciais em núcleos de convivência. De acordo com o Censo 2017-2018, 32% dos shoppings fazem parte de um complexo multiuso. Muitos deles incluem condomínio empresarial (63%), hotel (31%), torre com centro médico e/ou laboratórios (28%), condomínio residencial (17%), faculdades/universidades (22%), entre outros. Cada vez mais comuns, os complexos multiuso otimizam a exploração dos espaços e oferecem maior comodidade e conveniência aos frequentadores.
Ainda, segundo Michel Cutait, especialista em Shopping Center e Varejo e Diretor da Consultoria Make it Work, “a ampliação das ofertas do Shopping Centers, para intensificar a disponibilidade de serviços, lazer, entretenimento e conveniências para os consumidores é uma reação natural às mudanças de comportamento dos consumidores, que já não encontram a satisfação somente na aquisição de bens de consumo, mas buscam, principalmente, serviços que facilitem suas vidas cotidianas e solucionem problemas pessoais, como também estão interessados em experiências que possibilitem que o passeio no Shopping seja uma oportunidade para desfrutar de momentos de alegria e boas lembranças”.
Essa nova realidade de mercado impõe um desafio adicional aos proprietários dos shoppings centers ligado à rentabilidade dos empreendimentos, uma vez que provavelmente precisarão rever seus contratos de precificação. “Até hoje os empreendedores se encontravam em uma posição segura e vantajosa, pois, independentemente do impacto que seus lojistas estivessem enfrentando com a crise e queda nas vendas, eles tinham uma receita garantida, seja em cima dos metros quadrados alugados ou de um percentual das vendas dos lojistas”, completa Tais.








