Por que as compras que vêm da China demoram tanto?

Prazo médio da entrega de mercadorias vindas da China é de 90 dias.

Quem gosta de fazer compras online e prefere pesquisar pelo melhor preço, possivelmente já deve ter sido cliente em algum dos sites e aplicativos que oferecem produtos vindos da China. Mas, o menor preço tem seu custo. Na hora de finalizar a compra, e efetuar o pagamento, vem, muito provavelmente, a mensagem que ninguém gosta de receber: a de que a compra chegará em três meses, prazo médio previsto para as entregas.

Além da distância, que é um dificultador natural, por que isso acontece? Há diversos fatores e formas de envio, mas a principal justificativa para o longo prazo de frete é por se tratar de compras individuais e de pouca urgência. “As pessoas usam como referência o AliExpress (mais famoso) ou outros sites que são de compra de pessoa física. Para eles conseguirem frete grátis, que é o que eles ‘vendem’, ou um frete extremamente barato, que está embutido dos produtos, geralmente fazem contrato com empresas marítimas e aéreas. Só que as aéreas param em diversos países diferentes para ganhar em escala, para ter um valor bem baixo. E se for marítima, não tem jeito, em torno de 50 dias”, explica o brasileiro Lincoln Fracari, que mora em Shenzhen desde 2009 e é diretor comercial da China Link Trading. Outro fator que influencia na demora do frete, segundo Fracari, que está em contato com importações da China para o Brasil diariamente, é a alta demanda para a alfândega brasileira resultante deste comércio online.

“Depois, o que mais inviabiliza no caso de pessoa física é a alfândega brasileira, que recebe um volume muito grande dessas importações particulares. Muita gente trabalha como revenda, mas usando essa modalidade particular, o que forma um funil. Faz o gargalho ficar bem cheio, e aí demora para todo mundo”, complementa.

Diante do grande fluxo, a Receita não tem como fiscalizar tudo, mas se a sua encomenda for analisada e estiver fora das regras de isenção de imposto, vai ser cobrada uma taxa em cima dela. Alguns dos critérios do órgão é fiscalizar o tamanho da caixa ou o peso, já que não dá para vistoriar encomenda por encomenda.

Mar é o melhor custo-benefício

Apesar da via aérea ser uma opção para se transportar mercadorias vindas da China, não tem jeito: a escolha pelo transporte marítimo é o melhor para quem fornece e para quem compra. Por um único motivo: o custo. E os importadores geralmente se adaptam e se programam às consequências dos trâmites logísticos.

“A maioria das importações, em geral, é feita por contêiner, que demora no mar. Então, se for fazer uma média, do prazo zero até o produto chegar, leva 90 dias. Porque tem o prazo de produção da mercadoria, o desembaraço aqui na China, o transporte marítimo, o desembaraço no Brasil e o transporte rodoviário no Brasil. Mas os importadores já estão programados, já estão condicionados. Eles já sabem desse prazo. Eles só se programam antes para receber”, ponderou Fracari.

Formas de envio para o Brasil

Há três categorias de envio de mercadorias da China para o Brasil. A modalidade expressa, além de ser a única a oferecer um rastreamento online a cada etapa do processo, é a mais rápida. A bordo de um avião, os produtos são considerados “de envio urgente”, e demoram de dois a quatro dias úteis para chegarem. Empresas costumam se utilizar da agilidade deste tipo de frete para confirmação de amostras e reposição de peças sobressalentes quebradas, por exemplo.

Um avião um pouco mais lento, mais pesado e mais barato é o de carga. Uma segunda forma de envio das mercadorias – pela qual os e-commerces fazem parceria. Diferentemente da opção expressa, esta demora de cinco a dez dias somente para chegar ao Brasil, porque os aviões, em geral, fazem escalas em diversos países para baratear o transporte.

O problema desta alternativa aérea para os fornecedores, no entanto, é a condição estabelecida pelas empresas de logística. Para utilizar um avião de carga é preciso de, pelo menos, 50 kg em mercadoria. Caso não se tenha a quantia total em encomendas, é preciso pagar por 50 kg da mesma forma – o que acaba sendo, por consequência, repassado ao consumidor final.

Por último, pelo mar, os contêineres ficam de 28 a 40 dias a caminho em média. A grande amplitude entre o dia mínimo e máximo para o desembarque se dá, também, pelos portos brasileiros. Como ressalta Lincoln Fracari, entregas em portos com portes menores, como o de Manaus, podem levar o dobro de tempo às vezes, chegando a 60, 70 dias para desembarcar no Brasil.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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