Empresas estão se preocupando mais com a engenharia de construção e montagem e deixando para segundo plano a administração do capital humano

O Brasil perdeu nos últimos 15 anos, nada menos do que R$ 1 bilhão em decorrência da crise do capital humano, que resultou em greves, paralisações e, inclusive, depredações e vandalismo nas empresas. As maiores perdas estão nos empreendimentos públicos, mas ocorrem também em grandes empresas privadas. Por exemplo, só no Projeto Jirau, que é a terceira maior hidrelétrica do País, os prejuízos com a paralisação de 10 dias dos 20 mil trabalhadores chegaram a R$ 150 milhões.
Eu conversei com o consultor e executivo de grandes empresas, Sales Roberto de Souza Bueno, que acaba de lançar o livro Engenharia de Gente, Editora FGV, resultado de sua vasta experiência em organizar e implantar grandes empreendimentos e projetos pelo Brasil. Segundo Sales Bueno, o maior problema hoje na implantação de grandes empresas ou projetos é que os empresários se empenham mais na engenharia da construção e montagem, e deixam para segundo plano a engenharia do capital humano. O consultor me disse que se analisarmos 15 grandes empresas montadas nos últimos anos encontraremos graves problemas em função da deficiência gerencial, além de deformidades administrativas, como por exemplo, erros no pagamento de salários, não remuneração de horas extras, erros na concessão e pagamento de férias, desqualificação no atendimento ao trabalhador, contratos de trabalho mal feitos e problemas com segurança do trabalho.
No caso específico de segurança do trabalho, Sales Bueno lembra que o Brasil é o quarto país com maior número de mortes por acidentes de trabalho. Em média, são registrados 700 mil acidentes de trabalho por ano, mas este número é muito maior, segundo me disse o consultor, já que muitas empresas acabam não fazendo a comunicação oficial.
Outro grande problema relacionado ao capital humano é a carência de líderes. De acordo com o consultor, existem bons líderes no Brasil, mas o número é insuficiente para atender a demanda das empresas. “Temos mais chefes do que líderes e isso acaba se refletindo na produtividade e competitividade. As empresas de maior porte estão mais preocupadas em formar líderes, mas há uma grande deficiência nas médias e pequenas organizações”, explica o autor do livro Engenharia de Gente.
Sales Bueno explica que “a organização para a implantação requer competências que congregam planejamento, direção e controle, pontos críticos que nem sempre são considerados em sua totalidade pelos profissionais que estão na liderança dos projetos e equipes, sejam elas pequenas ou grandes”.
Desafio
Para Sales Bueno, grandes empreendimentos envolvem uma quantidade importante de empresas, fornecedores, prestadores de serviços, trabalhadores e um considerável volume de recursos financeiros e econômicos. Empresas contratadas mobilizam-se para construir ou montar o empreendimento para o cliente trazem na bagagem à cultura organizacional, suas políticas e procedimentos administrativos com diferenças importantes entre os vários players envolvidos e mobilizados num mesmo espaço geográfico. “Agrupar essas diferenças, efetuando o alinhamento e, ao mesmo tempo, preservando as diferenças garantindo a excelência no processo construtivo é um grande desafio”, destaca.
Livro
O livro Engenharia de Gente, de Sales Bueno, é um importante guia para os profissionais ligados – direta ou indiretamente – a construção e montagem; executivos; empresários; acionistas e proprietários de empreendimentos; administradores; engenheiros; técnicos de áreas de compras; finanças; jurídica; gestão de contratos e RH; especialistas; construtoras; montadoras e lideranças em geral.
Dividida em dez capítulos a obra traz uma reflexão sobre a importância das ações de planejamento organizacional e apresenta modelos de gestão e procedimentos a fim de auxiliar de modo efetivo o leitor. Um bom planejamento, conforme o autor, depende principalmente de “conhecimento de todas as etapas e fases do projeto que se irá trabalhar; além de informação adequada e em tempo”.
Numa linguagem acessível, Bueno expõe questões práticas que envolvem gerenciamento de tempo, orçamentos, comunicação, sustentabilidade, legislação e pessoas – o que inclui a comunidade ao redor do projeto a ser desenvolvido.
Ao longo da narrativa, embora foque nas questões inerentes ao dia a dia que o gerenciamento de um projeto requer, Bueno destaca a importância da compreensão do “indivíduo” com o qual deverá trabalhar ao longo de toda a empreitada. “Como os resultados são obtidos com e por meio de pessoas, é imprescindível compreender o ser humano considerado o principal ativo presente nas organizações”, enfatiza. Segundo o autor, mais difícil do que montar uma planta industrial é montar uma boa equipe. E justifica: “os dois são grandes desafios. Porém, a equipe é o mais desafiador, pois será através dela que se definirá o sucesso e ou o insucesso de um grande empreendimento”.
“Engenharia de Gente” está à venda no site www.livrariascuritiba.com.br, nas 29 lojas do Grupo Livrarias Curitiba e nas principais livrarias do país.








